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Cisco: oferta de banda larga tem de passar por melhorias drásticas no Brasil

Dois anos depois de pandemia de Covid-19 e das medidas de isolamento, virou lugar comum apontar para a conectividade à internet como serviço essencial. Um novo estudo da Cisco, Índice de Banda Larga, mostra como esse movimento afetou a percepção dos usuários e serve para alertar ao mercado de que o próprio conceito deve evoluir, além de apontar para uma maior diversificação nas ofertas. 

“Esse estudo é como a voz da demanda. E mais de 80% das pessoas tem uma percepção concreta de que precisa de melhoras drásticas para que esse modelo remoto, ou mesmo hibrido, possa continuar”, afirma o diretor de Políticas Públicas da Cisco Brasil, Giuseppe Marrara, 

A pesquisa ouviu 60 mil pessoas em 30 países, Brasil inclusive. E por aqui o índice de quem tem essa percepção é maior (82%) do que a média global (75%). A dependência de conexões melhores à internet é alta – 84% na média global, 88% no Brasil usam ativamente a banda larga em casa por pelo menos quatro horas por dia. Sendo que para 60% isso significa três ou mais pessoas conectadas ao mesmo tempo. 

Indicadores como esses sinalizam que o próprio conceito do que é banda larga precisa mudar. “Passamos a ter mais quesitos que não são mais estranhos para o cliente. E podemos quebrar a banda larga em quatro pontos. Primeiro, velocidade e capacidade, que às vezes são sinônimos. Se a maioria indica que três ou mais pessoas estão conectadas simultaneamente, a capacidade é fundamental”, diz Marrara. 

O segundo ponto, diz ele, é estabilidade. “Cada vez mais as pessoas querem conexão confiável. Uma coisa é travar na hora de ver o filme, outra muito diferente é interromper uma reunião importante.” Mais do que isso, o estudo da Cisco indica que 58% dos entrevistados – índice que foi a 60% no Brasil – disseram que em algum momento não conseguiram acessar serviços críticos, como saúde ou educação à distancia, durante a pandemia. 


O terceiro critério é segurança. “Vimos avanços significativos nesse período, como o PIX, mas também vimos que esse serviço e outros sofrem cada vez mais ataques, o que elevou essa preocupação ao ponto de as pessoas aceitarem pagar mais por conexões seguras”, aponta o diretor da Cisco. 

“O quarto quesito é a cobertura. Há consciência de que a cobertura deve ser universal, que acesso a internet é um serviço essencial que deve estar disponível a todos, independentemente da localização geográfica e da posição econômica. O trabalho, o estudo precisam que a internet acompanhe onde se vai”, emenda. 

Esse conjunto de achados da pesquisa sinaliza que os consumidores querem serviços diferenciados para suas necessidades: 44% (49% no Brasil) disseram que precisam de melhores conexões nos próximos 12 meses, 80%, dizem que o que tem não é suficiente para as necessidades, mas 77% ainda enxergam uma barreira de custo. 

“Tem uma camada interessada em talvez pagar um pouco mais, mas ao mesmo tempo tem barreira de entrada ainda no preço. Isso mostra que tem espaço para estratificação de ofertas, de graduar o que a cada um precisa. Pensar um modelo só de internet, significa que para alguns aquela internet não atende o suficiente e para outros talvez seja muito cara”, conclui Giuseppe Marrara. 

A disseminação das tecnologias que podem facilitar essa estratificação estão presentes ou quase chegando. O diretor da Cisco lembra que do lado doméstico, o WiFi 6E permite atender aqueles quesitos nos ambientes com muitos dispositivos conectados simultaneamente. E o 5G será realidade no Brasil ainda neste 2022, com capacidade para fatiamento de rede e atendimento a diferentes demandas. 

“Infraestrutura tem, apesar de ainda em estágio de crescimento. E tudo indica que o mercado está pronto para ter demandas e remunerar diferentes níveis de serviço”, completa Marrara.  O Índice de Banda Larga Cisco é uma pesquisa com 59.796 trabalhadores em 30 países: Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Polônia, Rússia, Japão, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Nova Zelândia, Coréia, Cingapura, Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas, Vietnã, Índia, Canadá, Brasil, México, China, EUA, Espanha, Arábia Saudita, África do Sul, Suécia, Emirados Árabes Unidos e Holanda. Ele foi concluído em dezembro de 2021. 

Assistam um trecho da entrevista do diretor de Políticas Públicas da Cisco Brasil, Giuseppe Marrara, ao Convergência Digital.

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