Telecom

Invasão de novas marcas chinesas aquece vendas de smartphones no Brasil e na América Latina

Na região, Xiaomi consolida segundo lugar – enquanto Motorola se mantém atrás da Samsung no Brasil. Honor, Oppo e vivo turbinam mercado.

O mercado de smartphones na América Latina cresceu 12% no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior e 3% no acumulado do ano, alcançando um recorde de 140,5 milhões de unidades embarcadas. Os dados são da Omdia.

O desempenho do último trimestre levou a região ao melhor resultado trimestral da série histórica, superando pela primeira vez a marca de 37 milhões de unidades, mesmo em um cenário de incerteza econômica e perspectiva de aumento no custo de componentes.

A Samsung manteve a liderança em 2025, com crescimento anual de 9% e 46,9 milhões de unidades enviadas. No quarto trimestre, a fabricante avançou 21% na comparação anual, impulsionada por alta de 32% nos modelos de entrada das linhas A0x e A1x.

A Xiaomi assumiu a segunda posição, com 24,6 milhões de unidades e crescimento de 8% no ano. A empresa combinou desempenho no segmento de entrada, com destaque para o Redmi A5 4G, e expansão no segmento intermediário premium, com modelos como o Poco X7 Pro.

A Motorola caiu para a terceira posição após retração anual de 5%, totalizando 21,6 milhões de unidades, apesar de interromper no quarto trimestre uma sequência de seis trimestres consecutivos de queda nos embarques. No Brasil, porém, a empresa continua em segundo lugar, com a Xiomi em terceiro.


Entre as cinco maiores, a Honor foi a que mais cresceu nos últimos três anos, registrando alta de 48% em 2025 e 64% no quarto trimestre, atingindo 11,8 milhões de unidades. A Transsion ficou na quinta posição, com 8,9 milhões de unidades, queda de 30% no ano.

Segundo a Omdia, o mercado apresentou um padrão atípico em 2025. O ano começou com risco de saturação de estoques no segmento de entrada, após forte competição baseada em preço em 2024. A incerteza econômica no primeiro semestre e preocupações com possíveis tarifas reduziram a demanda.

A recuperação ocorreu na segunda metade do ano, com melhora na confiança do consumidor e maior procura antes do pico sazonal do quarto trimestre. A consultoria alerta, no entanto, que restrições na oferta de DRAM e aumento nos preços de memória podem impactar 2026 e ter levado fabricantes a antecipar embarques.

O crescimento anual também refletiu o desempenho de mercados como Brasil, América Central e Equador, que registraram recordes de embarques em 2025. No Brasil, a dinâmica foi influenciada pela entrada de novas marcas, como Honor, Oppo e vivo.

Na América Central, Samsung e Motorola recuperaram participação diante da expansão estratégica de concorrentes como Xiaomi, Honor e Transsion. O Equador seguiu tendência semelhante, com a chegada de ZTE e Nubia.

Argentina, Chile e Colômbia voltaram a crescer com a melhora das condições socioeconômicas. Em sentido oposto, o México, segundo maior mercado da região, recuou 4% no ano, apesar de alta de 27% no quarto trimestre.

Para 2026, a Omdia projeta ambiente mais desafiador, com aumento de custos de componentes, especialmente memória, e comportamento mais cauteloso dos canais após excesso de estoques no início de 2025. A consultoria avalia que os fabricantes precisarão defender participação de mercado sem comprometer margens, com maior disciplina na gestão de estoques e na execução da cadeia de suprimentos antes do pico do quarto trimestre.

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