Mercado mundial de smartphones repassa custos com memória e amarga fuga de consumidores
O pior ainda está por vir. Preços de DRAM e NAND para dispositivos móveis cresceram 90% no primeiro trimestre, e serão mais 30% no segundo. Grifes lideram e demais lutam.

O mercado global de smartphones registrou crescimento modesto no primeiro trimestre de 2026, mas já enfrenta pressões crescentes de custos que devem impactar a demanda ao longo do ano. De acordo com a consultoria Omdia, os embarques globais avançaram 1% na comparação anual no período, desempenho acima das expectativas iniciais.
Apesar do resultado positivo, a expansão não reflete integralmente o aumento dos custos na cadeia de suprimentos. Segundo a análise, fabricantes anteciparam o envio de estoques para os canais de venda, o que sustentou temporariamente os volumes. Ao mesmo tempo, os reajustes de preços ao consumidor ainda não foram plenamente implementados em todos os mercados.
O pior ainda está por vir. A projeção é que o aumento de preços provoque um choque de demanda no curto prazo, com consumidores adiando a troca de aparelhos. Embora o mercado tenda a se ajustar gradualmente, a combinação de custos elevados e incertezas macroeconômicas deve pesar sobre o desempenho do setor.
A expectativa da Omdia é que, após o crescimento marginal no início do ano, o mercado global de smartphones passe a registrar queda ao longo de 2026, com retração estimada em cerca de 15% nos embarques, refletindo o impacto acumulado das pressões de custo e da desaceleração da demanda.
O principal fator de pressão vem do encarecimento de componentes essenciais. Os preços de memória DRAM e armazenamento NAND para dispositivos móveis subiram cerca de 90% no primeiro trimestre, com expectativa de alta adicional de 30% no segundo trimestre. Esse movimento eleva significativamente o custo de produção dos aparelhos, em um momento em que surgem também sinais iniciais de disrupções logísticas e comerciais no fluxo global de suprimentos.
No ranking de fabricantes, a Samsung Electronics retomou a liderança global, impulsionada pela demanda resiliente por modelos premium e pelo bom desempenho da linha Galaxy S26, cujas pré-vendas cresceram mais de 10% em relação à geração anterior, apesar de atrasos na atualização de modelos intermediários.

A Apple também apresentou desempenho sólido, com demanda estável pela linha iPhone 17 e manutenção de preços em diversos mercados, mesmo diante de algumas interrupções regionais na oferta.
Fora as duas líderes, o cenário é mais desafiador. Fabricantes de smartphones com sistema Android enfrentam pressão simultânea sobre volumes e margens, respondendo com portfólios mais enxutos, lançamentos seletivos e maior disciplina de preços. Empresas com maior exposição a segmentos de entrada e intermediário, como Xiaomi e Transsion Holdings, são particularmente vulneráveis devido à menor margem e capacidade limitada de repassar custos.
Por outro lado, alguns players conseguiram ampliar participação. A Huawei teve forte desempenho no mercado doméstico, apoiada em preços competitivos, enquanto a HONOR avançou em sua expansão internacional.
Para analistas da Omdia, o setor caminha para um cenário mais complexo ao longo de 2026. Os fabricantes têm pouca escolha além de aumentar preços à medida que as pressões de custo se intensificam. Além dos reajustes diretos, estratégias como mudanças nas configurações dos aparelhos, redução de promoções e maior controle de preços nos canais estão sendo adotadas para preservar margens.




