Oi foge da responsabilidade com trabalhadores, acena com plano de demissões mas não dá prazo
Federações sindicais exigem pagamento das verbas rescisórias, mas reunião tensa com o gestor judicial da Oi terminou inconclusiva.

Federações sindicais que representam trabalhadores do grupo Oi tiveram uma reunião tensa com o gestor Judicial da operadora, Bruno Rezende, na quarta, 18 de março. FENATTEL, FITRATELP e FITTLIVRE cobraram soluções imediatas para o quadro de “ociosidade forçada” que afeta centenas de empregados e para o passivo trabalhista de subsidiárias.
A gestão da empresa, no entanto, sinalizou tão somente com a possibilidade de estudos para a implementação de um Programa de Demissão Incentivada e a reunião terminou sem definições concretas de prazos, gerando frustração entre os dirigentes sindicais.
Em nota conjunta, os representantes dos trabalhadores criticaram a postura da gestão. “A Oi está desperdiçando a oportunidade de dar uma solução respeitosa para os trabalhadores, priorizando a gestão financeira sobre a social”, afirmaram os dirigentes.
As federações reclamam que a “ociosidade forçada” atinge centenas de funcionários, daí a exigência de abertura de canais para um desligamento com o pagamento integral das verbas rescisórias. Apesar do aceno com um PDI, não ficou estabelecida data para a conclusão da análise ou para o lançamento de um programa de incentivos.
Durante a audiência, Bruno Rezende apresentou um panorama sobre o futuro da empresa e as negociações em curso. O gestor informou que a venda da UPI Fixa deve ser concluída até o dia 20 de abril, com a expectativa de que a empresa adquirente absorva cerca de 250 colaboradores.
Já a UPI Imóveis poderá incorporar até 110 funcionários. Em relação à Oi Soluções, Rezende afirmou que não há intenção de venda da unidade, que deve concentrar a principal atividade da companhia no futuro. Sobre os resultados financeiros, o balanço da empresa e o resultado do Placar 2025, um acordo de resultados, devem ser anunciados em breve, enquanto as negociações para o Placar 2026 estão previstas para iniciar em maio.
Apesar do diálogo estabelecido, os dirigentes sindicais classificaram a reunião como inconclusiva. Um dos principais focos de tensão foi a situação dos trabalhadores da SEREDE, subsidiária da Oi. O gestor judicial transferiu a responsabilidade sobre o passivo trabalhista dessa rede para a esfera da Justiça, argumentando que a 7ª Vara não reconheceu a responsabilidade solidária da Oi. As federações contestaram duramente essa posição, reforçando que a Oi era a única tomadora de serviços da subsidiária e que a falta de uma definição clara amplia a crise e o endividamento com a folha de pagamento.
O próximo passo do processo judicial ocorre no dia 20 de abril, quando o Gestor Judicial apresentará um relatório técnico à Juíza da 7ª Vara detalhando o período em que assumiu a gestão da companhia. Enquanto isso, as assembleias de trabalhadores deverão decidir as próximas ações da categoria diante do cenário de incertezas e da falta de soluções concretas para a crise humanitária e emocional que assola os funcionários da Oi.



