Telecom

TV 3.0 chega no Rio e São Paulo antes da Copa. Brasília ainda é incerta

Homenagem da Anatel aos envolvidos no desligamento da TV analógica lembrou que dinheiro do 4G ainda ajuda o custeio da chegada de mais uma geração tecnológica da TV.

Uma reunião na Anatel nesta segunda-feira, 9/3, homenageou ex-integrantes da agência que participaram do processo de desligamento da TV analógica e a transição para a TV Digital. Mas enquanto olhava para o que passou, a cerimônia também apontou para o futuro próximo, com a chegada da TV 3.0 ainda este ano, notadamente nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo.

A ideia é que as transmissões com a nova tecnologia comecem antes da Copa do Mundo de futebol – cujo primeiro jogo será em 11/6 e a estreia do Brasil em 13/6. Mas, como dito, ainda restritas às praças do Rio e de São Paulo. Há apelos para que Brasília também esteja nesse primeiro grupo, mas a logística para isso ainda é incerta. Por enquanto, é mais seguro apostar que haverá TV 3.0 na capital em algum momento do segundo semestre.

Além das recordações sobre o processo de chegada da TV Digital e o desligamento da TV analógica no país – feito concluído no fim do ano passado porque houve atraso no Rio Grande do Sul, por conta das enchentes de 2024. Mas parte dos recursos do setor de telecomunicações que ajudou nesse processo ainda irriga a novíssima tecnologia. Há dinheiro ainda do leilão da faixa de 700 MHz (ou seja, ainda do 4G) financiando antenas transmissoras e até aplicativos do Gov.br que serão acessados pela televisão. Além disso, as emissoras públicas também terão transmissão de TV 3.0 até junho deste ano.

“O Gired começou com aproximadamente R$ 3,5 bilhões. E havia dúvidas se seriam suficientes. Mas não só concluímos a fase um, como sobraram recursos e aí veio a fase dois. E mais recentemente a fase três”, destacou o conselheiro da Anatel, Octavio Pieranti, atual presidente do Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV, Gired.

Aqueles R$ 3,5 bilhões incluídos como obrigações às operadoras móveis que comprara nacos da faixa de 700 MHz para implantar o 4G deram cria. Além da distribuição de kits de conversores de sinais para famílias de baixa renda (foram 14 milhões deles desde 2016), o dinheiro serviu para implantar antenas transmissoras em 1.568 municípios com menos de 30 mil habitantes, depois para financiar uma das infovias fluviais na Amazônia (o trecho Santarém-Manaus), além do custeio, por meio de leilões reversos, da instalação de antenas 4G em distritos pequenos sem serviço.


Este ano, definiu-se o que fazer com o que, imagina-se, seja a última sobra: R$ 40 milhões dos quais metade vai para novas ERBs 4G em pequenos distritos e a outra metade vai para a radiodifusão, para custear transmissores de TV digital, sendo ainda R$ 5 milhões para o desenvolvimento de aplicativos para a TV 3.0, de forma a ser possível à população acessar serviços do Gov.br na nova televisão.

Segundo representantes de emissoras privadas presentes ao evento da Anatel, até aqui a única emissora que promete TV 3.0 antes da Copa é a Globo. As demais ainda avaliam a viabilidade logística e financeira de antecipar as transmissões. Tampouco se acredita que dará tempo – afinal, é ano eleitoral – de costurar um programa de incentivo à demanda, seja pela distribuição de conversores para que os televisores atuais consigam receber os sinais da TV 3.0, ou algum incentivo à indústria de equipamentos.

Numa rápida definição, a TV 3.0 é a evolução da TV digital brasileira, que unifica o sinal gratuito da antena com a internet para oferecer qualidade de imagem e som superiores (4K/8K, áudio imersivo), interatividade avançada (apps, votações, compras na tela), publicidade segmentada, recursos de acessibilidade e alertas de emergência, transformando a TV aberta em uma experiência mais parecida com a dos serviços de streaming, mas sem custo de assinatura para o conteúdo tradicional.

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