Inovação

Meta faz acordo de R$ 300 bilhões e 10% das ações da AMD por chips de inteligência artificial

Acordo que envolve participação acionária é semelhante ao que AMD fechou com OpenAI.

A Meta, controladora do Facebook, fechou um acordo de US$ 60 bilhões (R$ 308 bilhões) para a compra de chips de inteligência artificial da fabricante americana Advanced Micro Devices, em um movimento que ocorre apesar de temores no mercado sobre uma possível bolha de investimentos em IA.

O contrato, com duração de cinco anos, prevê também a aquisição de 10% da empresa californiana por parte da Meta, em um modelo semelhante ao firmado no ano passado entre a OpenAI e a AMD. O acordo é mais um entre os grandes grupos de tecnologia dos Estados Unidos, que devem investir cerca de US$ 660 bilhões em ativos ligados à inteligência artificial ao longo deste ano.

Para Alvin Nguyen, analista da Forrester Research, o movimento pode sinalizar uma mudança mais ampla na estratégia da Meta em inteligência artificial. Segundo ele, os principais desenvolvedores de IA têm buscado diversificar seus fornecedores de chips além da Nvidia, líder global do setor, em meio a gargalos na cadeia de suprimentos.

A Meta já havia firmado acordo separado com a Nvidia para a compra de milhões de chips e, segundo a agência Reuters, também mantém conversas com a Google para utilizar seus processadores Tensor (TPUs) em aplicações de IA. “OpenAI teve que se tornar multi-vendor porque chegou a um tamanho em que ficar presa apenas à Nvidia limita o crescimento. A Meta já é grande o suficiente para precisar de múltiplas opções”, afirmou Nguyen.

A AMD deverá fornecer à Meta o equivalente a 6 gigawatts em chips, começando com 1 gigawatt do novo hardware MI450 no segundo semestre deste ano, de acordo com a presidente-executiva da companhia, Lisa Su. Além das unidades de processamento gráfico, a Meta também comprará processadores centrais, incluindo uma versão customizada para atender às necessidades específicas da empresa. Segundo Su, o chip será ajustado para entregar alto desempenho com menor consumo de energia. O acordo contempla duas gerações de CPUs. “Meta está fazendo uma grande aposta na AMD”, disse.


No ano passado, a Meta ampliou investimentos em pesquisa própria em IA e promoveu uma disputa por talentos com rivais, oferecendo bônus elevados para atrair profissionais. Após relatos de preocupação com uma possível bolha no setor, a empresa parece agora direcionar sua estratégia para infraestrutura, incluindo data centers.

Entre os projetos em andamento está um grande centro de dados na Louisiana, estimado em US$ 27 bilhões. A escala dos investimentos exige múltiplos fornecedores de chips e diferentes abordagens tecnológicas, afirmou Santosh Janardhan, responsável pela área de infraestrutura da Meta. “Todos os fabricantes de chips acabam tendo um lugar à mesa”, disse.

Nguyen avalia que, embora a participação de mercado da AMD seja menor que a da Nvidia, seus chips apresentam desempenho equivalente e oferecem tecnologias que permitem converter cargas de trabalho originalmente desenvolvidas para sistemas Nvidia. Ele acrescenta que outras fabricantes, como a Intel, também podem se beneficiar da diversificação futura.

O acordo ocorre em um momento de volatilidade no setor, com o avanço de ferramentas de IA chamadas de agentic provocando oscilações nas ações de empresas de software, em meio a preocupações sobre impactos no emprego. Nesta semana, a Anthropic anunciou que lançará um plugin para integrar sua ferramenta Claude Cowork a plataformas como Google Drive, Gmail e DocuSign, buscando ampliar sua presença no mercado corporativo, segmento em que disputa espaço com OpenAI e Google.

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