Telecom

Anatel incentiva prefeituras a instalarem reforçadores de sinais de celular

Apesar de liberado, uso de equipamentos próprios para ampliar cobertura ainda é pouco usado.

A Anatel firmou um acordo de cooperação técnica com o Confea e a Fundação do Inatel para capacitar profissionais e ampliar a cobertura de telefonia móvel no país, especialmente em áreas com sinal precário ou inexistente.

O acordo, com vigência até março de 2029, tem como foco a criação de cursos e materiais técnicos voltados à instalação de repetidores de radiofrequência e reforçadores de sinal — equipamentos considerados uma alternativa mais rápida e de menor custo para expandir o alcance do Serviço Móvel Pessoal (SMP).

A iniciativa está inserida no contexto do sandbox regulatório da Anatel, que flexibiliza regras para permitir que entidades municipais, e não apenas operadoras, possam instalar esse tipo de equipamento. A estratégia busca acelerar a expansão da conectividade em localidades fora das sedes municipais, onde os investimentos tradicionais das operadoras tendem a ser mais lentos ou economicamente menos atrativos.

Pelo acordo, caberá à Anatel fornecer o conteúdo técnico-regulatório e coordenar a iniciativa, incluindo a criação de uma página dedicada para divulgação dos cursos. O Confea será responsável por mobilizar a rede de engenheiros e disponibilizar infraestrutura para capacitações presenciais, enquanto o Inatel atuará na estruturação pedagógica e no desenvolvimento do conteúdo técnico dos cursos.

A parceria considera que apesar da existência de mecanismos regulatórios que permitem a instalação de repetidores por prefeituras, a adesão ao modelo ainda é baixa. Segundo o documento, uma das principais barreiras é a falta de conhecimento técnico e regulatório por parte dos municípios, que enfrentam dificuldades para elaborar projetos, cumprir exigências e contratar profissionais qualificados.


Nesse contexto, a capacitação surge como instrumento para destravar a política pública. A ideia é formar profissionais aptos a orientar prefeituras e executar projetos de forma segura, respeitando normas técnicas, requisitos regulatórios e padrões éticos da engenharia.

O acordo também reflete uma mudança na abordagem da agência para expansão da conectividade. Em vez de depender exclusivamente de grandes investimentos das operadoras — como os previstos no leilão do 5G —, a Anatel aposta em soluções complementares, mais descentralizadas e de implementação mais ágil.

Outro ponto relevante é que a parceria não envolve transferência de recursos financeiros entre as instituições. Cada participante arcará com seus próprios custos, em um modelo de cooperação institucional baseado no compartilhamento de conhecimento, infraestrutura e pessoal.

Na prática, a iniciativa busca criar uma rede nacional de capacitação técnica capaz de apoiar municípios em todo o país, ampliando a autonomia local para enfrentar problemas de cobertura. A expectativa é que, com maior disseminação de conhecimento, mais projetos sejam apresentados à Anatel e, consequentemente, mais localidades passem a contar com sinal de telefonia móvel.

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