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Odata: Impostos altos tornam o Brasil inviável para data centers de IA

País tem energia limpa, mas tem uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo. No caso da Odata, conta o CEO, Ricardo Arantes, o México já está no tamanho do Brasil e o Chile se destaca com os impostos, mas padece com a baixa demanda.

Em um momento em que a inteligência artificial (IA) redefine a escala da infraestrutura global, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada, porém, ameaçada por sua própria complexidade burocrática. Em entrevista exclusiva ao Convergência Digital, durante o TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, realizado na semana passada, em Santana de Parnaíba, Ricardo Alário Arantes, CEO da Odata, ponderou que o Brasil possui potencial para atrair investimentos em data centers devido à energia limpa e excedente, mas a alta carga tributária é um obstáculo.

O executivo detalhou a jornada do setor para viabilizar o pós-Redata, as vantagens competitivas do País e os planos de expansão da multinacional brasileira, agora sob o guarda-chuva da americana Aligned Data Centers. A multinacional brasileira opera no México, Chile, Colômbia e Brasil.

Ricardo Alário Arantes lembrou de quando, há um ano, Fernando Haddad, então ministro da Economia, anunciou para o setor a medida provisória. “Foi recebido muito positivamente. Nossos clientes falavam que queriam vir para o Brasil, mas com a camada de imposto que a gente tem nos nossos servidores, fica inviável”, assinalou. Pelo cálculos de Alário, a alíquota varia entre 40% e 80% dependendo de como é feita a importação.

Com o vencimento, em 25 de fevereiro, da MP 1.318/2025 que havia instituído o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), o setor se organiza em prol de um projeto de lei para instaurar regime especial de tributação para incentivar instalação de datacenters no Brasil.

O Projeto de Lei 278/26 institui o Redata, suspendendo a cobrança de tributos federais para a compra de máquinas e equipamentos destinados a centros de processamento de dados. O PL foi apresentado na Câmara dos Deputados por José Guimarães (PT-CE), prevendo a suspensão da exigência de PIS/Pasep, Cofins, IPI e Imposto de Importação na aquisição de componentes eletrônicos e bens de tecnologia da informação. O benefício valeria tanto para compras no mercado interno quanto para importações de itens sem similar nacional.


A esperança agora reside no PL e o setor está articulando, tanto no Senado quanto no Congresso para colocá-lo na pauta. É uma corrida contra o tempo, uma vez que as eleições estão logo aí. A favor do Brasil, a capacidade de geração de energia chama a atenção. “Poucos países do mundo hoje tem um excesso de geração e pouquíssimos países do mundo tem esse excesso de geração”, apontou, acrescentando que se soma a isso o fato de o grid brasileiro ser muito limpo e um preço de energia, muito por esse excesso, baixo. “A gente tem tudo para absorver uma parte dessa demanda global. Mas, quando você coloca no papel, todos esses incentivos não conseguem ser o suficiente para você tirar os de 40% a 80% de impostos”, ponderou.

A infraestrutura que existe hoje no Brasil serve para atender apenas o mercado local. Por isso, os investimentos acabam sendo feitos, independentemente das taxas. Com Redata, a meta era trazer para o Brasil novas demandas, tais como a inferência de inteligência artificial.

Momento Odata

A multinacional de origem brasileira tem operações também no México, Chile e Colômbia e há quase três anos foi adquirida pela empresa americana Aligned Data Centers. Hoje, a operação do México é mais ou menos do tamanho da do Brasil. O executivo pondera que cada país tem seus desafios e oportunidades. “No Chile, o imposto é muito razoável, é um país previsível do ponto de vista de macroeconomia, mas você tem uma demanda interna muito menor. Agora, o Chile está exportando, com alguns data centers lá para servir outros países. E o Chile tem outros problemas, como de energia”, listou.

Já o México tem a seu favor que os clientes são dos Estados Unidos, até pela proximidade, que leva à prática de nearshore até para suprir a escassez de energia elétrica dos EUA. “A gente conseguiu clientes que estão levando capacidade de IA para o México hoje para servir o resto do mundo”, assinalou.

A ideia é continuar crescendo e pegando a onda exponencial que está acontecendo com a IA no mundo. “Muito investimento foi para a Malásia. Países europeus do Oeste, a Europa Ocidental, fizeram o movimento inverso, expulsando data center e muitos foram para os países nórdicos. O Oriente Médio também recebeu, mas agora não está tão interessante com a guerra do Irã. O Brasil tem vantagens, mas tem que resolver o problema tributário.”

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