

O painel “O papel do 5G na mídia: aplicações atuais e perspectivas para o futuro”, realizado na SET Expo 2026 nesta segunda-feira, 17, reuniu especialistas para discutir como a quinta geração de redes móveis está transformando a indústria da comunicação. Com a moderação de Francisco Portelinha, do Inatel Competence Center, o debate explorou desde o uso de redes privadas em grandes produções até o impacto social da tecnologia na democratização do acesso à informação.
Renato Sales Bizerra Aguiar, gerente da Anatel, destacou o desafio regulatório de gerenciar um espectro que abrange desde o rádio amador até satélites. Segundo ele, o 5G representa uma evolução crucial para o jornalismo e o entretenimento, permitindo uma interatividade sem precedentes. “Na época do jornalismo escrito, havia limitação para se passar a mensagem. Hoje, o 5G vem auxiliar o setor a passar mensagens de forma mais interativa e engajando a audiência”, afirmou.
Ele lembrou que, atualmente, o Brasil conta com mais de 56 mil estações 5G instaladas em mais de 1.800 municípios, o que viabiliza o uso da rede de operadoras para transmissões de mídia. Aguiar detalhou três modelos de implementação:
- Redes Privativas Não Públicas: Implementadas pelo próprio detentor do serviço, exigindo alto investimento, mas garantindo controle total.
- Redes Geridas por Operadoras: Onde a operadora oferece a infraestrutura como um serviço gerenciado.
- Network Slicing: A reserva de “fatias” específicas do espectro para garantir desempenho em momentos de alto tráfego.
A viabilidade técnica do 5G já foi comprovada em eventos globais. Aguiar citou exemplos como a cobertura da tocha olímpica pela France Television em 2024, que percorreu 1.600 km usando 5G, e a coroação do Rei Charles pela BBC, que utilizou uma rede própria para transmitir o trajeto pelas ruas de Londres. No Brasil, destacam-se as transmissões da Stock Car com a Vivo, utilizando câmeras dentro dos carros, e as inovações da TV Globo com a Embratel no BBB 24.
Inclusão Digital
O painel também abordou o papel social da tecnologia. Robson Tavares, diretor técnico na Rede CNT, compartilhou os resultados de testes realizados em Curitiba, focados na transmissão de conteúdo para dispositivos móveis na faixa de 700 MHz. O objetivo é viabilizar o 5G Broadcast, permitindo que o público acesse TV aberta de forma gratuita diretamente no celular.
“O teste demonstra que é possível transmitir conteúdo livre e gratuito, garantindo mais inclusão”, ressaltou Tavares, enfatizando que o sucesso dessa tecnologia depende de um ecossistema maduro, com espectro disponível e receptores acessíveis no mercado.
Gina Duarte, CEO da EAF (Entidade Administradora da Faixa), detalhou como os recursos do leilão do 5G estão sendo convertidos em políticas públicas. Através do projeto Siga Antenado, já concluído, a entidade trabalhou na “limpeza” da faixa de 3,5 GHz, substituindo antenas parabólicas tradicionais por kits digitais.
Essa transição não apenas liberou caminho para o 5G, mas ampliou o acesso à TV aberta em locais remotos. “O trabalho que fazemos reúne tecnologia, conectividade e inclusão digital. É importante ver a transformação que isso leva para a vida das pessoas”, afirmou Gina Duarte. Até o momento, o projeto já atendeu 323 municípios e mais de 260 mil famílias, garantindo acesso a até 100 canais abertos com qualidade digital. Para a executiva, o foco deve ser sempre o impacto na ponta final: “O importante é levar o impacto para a ponta, para quem vai utilizar o serviço, entendendo características de cada região e população”.
O debate terminou com uma visão prospectiva trazida por Francisco Portelinha, mencionando que a indústria já olha para o 6G, edge computing, inteligência artificial e redes autônomas. O desafio para os broadcasters nos próximos anos será separar o “hype” do impacto real, utilizando essas ferramentas para criar experiências imersivas (XR) e produções cada vez mais ágeis e eficientes.





