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IBM avança para computação quântica tolerante a falhas

Aexandre Pfeifer, líder de vendas para computação quântica na IBM LA, conta que a empresa conta com o equipamento já para 2029.

A IBM anunciou, no primeiro semestre, que alcançou a vantagem quântica ao demonstrar, em três estudos realizados com parceiros como a Universidade de Chicago, que seus computadores resolveram problemas científicos complexos além da capacidade dos métodos clássicos. Há menos de dez dias, a gigante azul revelou que conseguiu conectar seus primeiros sistemas criogênicos modulares. Trata-se de um marco rumo à computação quântica tolerante a falhas.

Em entrevista à CDTV, durante o Febraban Tech 2026, Alexandre Pfeifer, líder de vendas para computação quântica na IBM LA, explicou por que a computação quântica surge como a próxima fronteira da inovação, capaz de transformar a forma como resolvemos problemas complexos, protegemos informações e criamos vantagens competitivas. 

“A vantagem quântica é mais um passo no processo de demonstrar para que serve o computador quântico”, explicou. O anúncio da demonstração em computação quântica atingindo os critérios fundamentais para a vantagem quântica — realizar cálculos além do alcance dos principais métodos de simulação clássica, ao mesmo tempo que garante a precisão dos resultados obtidos — foi feito pela IBM e pesquisadores da Universidade de Chicago.

Os pesquisadores mostraram que esses dois objetivos podem ser alcançados simultaneamente por meio de uma nova construção de circuitos quânticos codificados, possibilitando uma das maiores demonstrações de computação quântica lógica até o momento. Esses circuitos e seus resultados também foram disponibilizados publicamente no Quantum Advantage Tracker.

Durante anos, pesquisadores têm usado um método de teste conhecido como amostragem aleatória de circuitos (RCS, na sigla em inglês) para verificar se os computadores quânticos poderiam superar os sistemas clássicos. Em termos simples, o RCS pede a um computador quântico que gere padrões tão complexos que um computador clássico não consiga reproduzi-los de forma eficiente. O desafio tem sido a verificação: à medida que o problema se torna mais difícil, torna-se cada vez mais difícil, e eventualmente inviável, provar que a resposta do computador quântico está correta sem fazer suposições fortes sobre o funcionamento interno do computador.


Em seu experimento, pesquisadores da IBM e da Universidade de Chicago abordaram esse obstáculo com uma alternativa estruturada ao RCS. A equipe conseguiu provar que essa alternativa mantém os mesmos critérios de dificuldade do RCS, mas, crucialmente, a nova estrutura pode ser usada para detectar erros durante a computação.

Pfeifer explicou que ficou demonstrado o uso do computador quântico para resolver um problema prático de forma mais rápida, eficiente, correta ou mais barata do que usando somente computação clássica. “Foi usado o computador quântico para chegar a um resultado que a computação clássica sozinha não conseguia atingir. Isso é importante, porque demonstra que já faz sentido usar o computador quântico e não só o computador clássico em certos trabalhos”, assinalou, destacando a importância do feito.

A IBM projeta para 2029 um computador quântico tolerante a falhas. E é aí que entra outro feito: que conectou e resfriou com sucesso dois módulos criogênicos em um único ambiente operacional. A nova arquitetura foi desenvolvida para evoluir para um sistema modular, compartilhado e ultrafrio, capaz de conectar centenas de chips quânticos em um computador quântico mais poderoso, preparado para resolver problemas de larga escala.

A implementação representa outro marco no caminho da IBM para entregar o IBM Quantum Starling em 2029, previsto para ser o primeiro computador quântico tolerante a falhas do mundo, integrando avanços em correção de erros, design de processadores, decodificação e engenharia de sistemas.

Juntos, os dois primeiros módulos operacionais têm mais de 2,4 metros de altura e 2,4 metros de largura. Os testes iniciais demonstraram que eles podem atingir conjuntamente 4 Kelvin (temperatura do hélio líquido) em menos de cinco dias, alcançando posteriormente temperaturas inferiores a 15 milikelvin. O compartimento de vácuo de cada módulo oferece até 12 vezes mais espaço para fiação do que os sistemas quânticos IBM mais amplamente utilizados atualmente, possibilitando um número significativamente maior de conexões entre chips, tanto dentro dos módulos quanto entre eles.

“Esse computador quântico tolerante a falhas depende de muitos qubits físicos serem utilizados para representar qubits lógicos. Para que eu tenha essa quantidade de qubits, eu preciso fisicamente que eles operem modularmente em um espaço não suficiente para um módulo criogênico só. Então, é fundamental atingir essa visão e esse ponto do nosso roadmap de ter esse esses módulos criogênicos associados e com processadores quânticos conectados em cada um desses módulos”, detalhou.

O anúncio do módulo de criogenia representa um passo fundamental para atingir a visão da computação quântica tolerante a falhas em 2029. O novo design em formato de caixa da IBM permite que os módulos sejam conectados em sequência, utilizando esse espaço ampliado para interligar processadores quânticos diretamente por meio da tecnologia “L-coupler” da IBM.

Os L-couplers conectam chips quânticos separados para compartilhar informações, se comunicar e operar como parte de um computador quântico maior. Até 2027, o roadmap quântico da IBM prevê utilizar os L-couplers para conectar múltiplos processadores em um computador quântico com pelo menos 1.000 qubits programáveis, ou seja, qubits que podem ser utilizados diretamente para realizar cálculos.

Como parte desse objetivo, a IBM instalará processadores IBM Quantum Nighthawk nesses módulos criogênicos ainda este ano para ampliar os testes operacionais. Quando o Starling for lançado, a IBM prevê que cada módulo criogênico abrigará milhares de qubits.

“Em 2029, vai ser um grande salto por causa desse aumento da capacidade da presença dos qubits lógicos e da tolerância às falhas. Então, esse é o marco de 2029”, disse, ressaltando que, hoje, a computação quântica já é realidade, porque há vantagem quântica heurística — quando um computador quântico resolve um problema prático mais rápido do que qualquer computador normal, mesmo sem uma prova matemática de que o método quântico é sempre superior.

De acordo com ele, parceiros e startups do ecossistema da IBM estão trabalhando com funções e outras construções que resolvem certos problemas e na prática têm demonstrado vantagem. “A gente só não tem como necessariamente uma comprovar cientificamente que se trata de vantagem, mas de um ponto de vista prático, pragmático, são situações em que você usando o computador quântico atinge resultados melhores do que usando soluções clássicas existentes por aí. Então, já é a realidade.”

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