Resistência à mudança trava o retorno financeiro da IA
Pesquisa mostra que mais de 80% dos executivos de transformação afirmam que menos da metade de suas iniciativas de IA gera impacto financeiro mensurável.

Mesmo com os investimentos sem precedentes em Inteligência Artificial e mudança organizacional, a parcela de transformações que entrega de forma consistente o valor originalmente previsto é de apenas 29%, revela a edição 2026 do Kearney Transformation Study. Intitulado The adoption gap: why most transformations fail after the strategy is approved (A lacuna da adoção: por que a maioria das transformações fracassa depois que a estratégia é aprovada).
A pesquisa ouviu 102 executivos seniores responsáveis por transformação, de empresas de diferentes tamanhos e setores. Os resultados apontam que a resistência à mudança, e não a falta de estratégia ou de tecnologia, é o principal obstáculo ao sucesso das transformações. Além disso, a análise indica que empresas que adotam uma abordagem centrada nas pessoas são exceção a uma tendência.
O levantamento ainda aponta que:
Mais de 80% dos executivos de transformação afirmam que menos da metade de suas iniciativas de IA gera impacto financeiro mensurável;
A resistência à mudança é apontada como a principal barreira à implementação, à frente de orçamento, prazos e tecnologia;
Apenas 12% dos líderes desaceleram intencionalmente as transformações para preservar a capacidade de preparação da organização;
Quase três quartos dos líderes afirmam que estratégia, prioridades e sequenciamento são definidos principalmente pela alta liderança;
Empresas que incorporam o desenvolvimento de capacidades desde o primeiro dia têm quase três vezes mais chances de obter o valor esperado.
O estudo identifica a necessidade de estruturar as transformações em torno de quatro elementos humanos que se reforçam mutuamente: motivação, contribuição humana, capacidade de mudança e competências.
“As empresas se tornaram muito melhores em projetar e lançar transformações, mas não avançaram na mesma proporção na tarefa de fazer com que as transformações sejam de fato adotadas”, afirmou Jennifer McGee, sócia da Kearney e principal autora do relatório. “Esse é o paradoxo: temos mais tecnologia, métodos de transformação mais sofisticados e mais investimentos do que nunca. Ainda assim, tem sido difícil alcançar valor nesses projetos. A próxima vantagem em transformação não virá apenas de uma estratégia melhor. Ela virá do sucesso na adoção.”
O estudo investiga a percepção das lideranças sobre a eficácia dos esforços de transformação e as abordagens adotadas pelas empresas para melhorar a preparação e a adoção, incluindo:
Quantas organizações estão conduzindo transformações e se os líderes passaram a enxergá-las como uma capacidade contínua, e não como um evento pontual;
Em que medida as organizações equilibram a geração de valor com o desgaste provocado pelas transformações;
Quais são as principais barreiras percebidas para a transformação e como elas se comparam aos resultados de anos anteriores;
Se e como os líderes incorporam o desenvolvimento de capacidades desde o início de uma transformação;
Qual é o impacto mensurável sobre o desempenho quando o desenvolvimento de capacidades é incorporado antecipadamente;
Em que pontos a IA está de fato acelerando a adoção e onde ela corre o risco de ampliar padrões de fracasso já existentes.



