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SAP: Sucesso no uso da IA exige orquestração das competências

Gina Vargiu-Breuer, membro do board da SAP, contou como o Mercado Livre e a MRS Logística transformaram seus negócios apostando na qualificação e na força do trabalho.

A interseção entre a transformação impulsionada pela inteligência artificial, a cultura organizacional e a necessidade de dados integrados para a evolução da força de trabalho norteou o talk show entre Adriana Aroulho, presidente da SAP América Latina e Caribe, e Gina Vargiu-Breuer, diretora de pessoas e de relações trabalhistas e membro do Conselho Executivo da SAP SE, na abertura do SAP Now AI Tour Brazil, nesta quarta-feira (9/9), em São Paulo.

Gina Vargiu-Breuer apontou que os executivos globais estão focados principalmente em dois desafios: desenvolver um roteiro de IA para incorporar a tecnologia aos processos de RH e gerenciar transformações simultâneas na organização, na força de trabalho e na própria IA. Ela enfatizou que uma transformação bem-sucedida exige uma abordagem holística — envolvendo o aprimoramento de competências (upskilling), a requalificação (reskilling) e a reformulação de funções organizacionais, em vez de focar apenas na tecnologia.

“É preciso discutir como ganhar produtividade, mas também como manter nossa cultura forte. O que precisamos mudar? Afinal, a transformação impulsionada pela IA depende 70% de pessoas, processos e liderança. Não se trata tanto de tecnologia; a maior parte — e isso é novidade — está ligada ao aspecto humano, ao comportamento”, assinalou Gina Vargiu-Breuer.

Como exemplo, as executivas mencionaram exemplos específicos de implementação de IA como no caso da MRS Logística, no Brasil, que utilizou IA em seu processo de recrutamento para obter uma economia de 60% no tempo de triagem de currículos, permitindo que os recrutadores se concentrassem em atividades de maior valor agregado.

Antes de chegar a São Paulo, Vargiu-Breuer esteve na Argentina com o Mercado Livre sobre requalificação e transformação. “Foi uma conversa fácil e uma troca produtiva, principalmente, porque temos uma abordagem semelhante sobre como evoluir para uma organização baseada em competências. Para garantir a equidade, a adaptabilidade e o desenvolvimento dos colaboradores, precisamos de transparência sobre o que é necessário para o futuro”, detalhou Vargiu-Breuer.

Para tanto, é preciso definir quais competências são exigidas e, consequentemente, quais treinamentos e jornadas de desenvolvimento precisam ser implementados. “Nós iniciamos nossa jornada de cultura de crescimento há um ano e meio; reconhecemos nossa trajetória fantástica e o sucesso da SAP, mas entendemos que precisávamos adaptar isso à era da IA”, contou Vargiu-Breuer.

Assim como o Mercado Livre, a SAP também entendeu que precisava definir o que era necessário para ter sucesso daqui para frente, o que deve fazer de forma diferente e o que precisa fortalecer. “Eles [Mercado Livre] fizeram exatamente a mesma coisa. Eles também estavam reformulando sua própria estrutura de competências — esse foi outro tópico que abordamos. Ou seja, todos estão, digamos, realizando ações semelhantes, com cada um mais avançado em um aspecto ou outro”, frisou Vargiu-Breuer.

Para gerenciar a ascensão de agentes autônomos, a executiva que é membro do conselho ressaltou a importância de estabelecer diretrizes rigorosas e uma governança ética; manter a responsabilidade e o controle humanos sobre as ações dos agentes; definir os limites entre o que a IA pode fazer e o que ela deve fazer.

Vargiu-Breuer argumentou que concretizar o potencial da IA ​​exige uma mudança da orquestração vertical para uma orquestração corporativa horizontal e de ponta a ponta. Isso evita silos de dados e permite uma tomada de decisão mais eficaz por meio de processos integrados.

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