
“O Brasil está perdendo o trem-bala da oportunidade”, ressaltou Affonso Nina, presidente-executivo da Brasscom, ao falar sobre a demora na aprovação do Projeto de Lei nº 278/2026 que institui o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center). O PL — que já passou na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado — visa a desonerar investimentos no setor, propondo a suspensão por cinco anos de impostos como IPI, PIS, Cofins e importação.
Nina falou com jornalistas durante o Brasscom TecForum Pocket São Paulo, realizado nesta terça-feira, 12/5, evento que marcou o lançamento do Relatório Setorial 2025, que traz números atualizados do macrossetor de tecnologia da informação e comunicação.
O relatório aponta que cada mês que passa sem a aprovação do Redata significa menos investimentos no Brasil, principalmente, porque grande parte dos efeitos do Redata são para este ano, antes da reforma tributária entrar. À época da medida provisória para instituir o Redata, a Brasscom estimava investimentos em data centers na ordem dos US$ 80 bilhões, montante que vem declinando com o passar dos meses.
“Temos cenários diferentes; falamos de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões de investimentos em data center, mas, hoje, com atrasos no Redata e na redução de ICMS, esses US$ 100 bilhões saíram da mira”, pontuou. A expectativa agora gira na casa dos US$ 80 bilhões, ou R$ 400 bilhões, de atração de investimentos em data center até 2030 e um aumento da capacidade em megawatts de 2,5 vezes, passando de 1.340 MW em 2026 para 2.529 MW em 2030.
“Número exato não dá para cravar, mas está ligado à velocidade, pois cada dia que passa sem aprovar medidas são bilhões de dólares perdidos. Alguns projetos estão atrasados ou represados; e algumas empresas já disseram que perderam projetos para outros países”, assinalou, mostrando os efeitos da não aprovação rapidamente do Redata.
Apesar disso, Nina disse acreditar na aprovação. Inclusive foi lançado nesta terça-feira (12/5) um manifesto encabeçado por uma coalisão formada por dez frentes parlamentares e 34 entidades do setor produtivo cobrando a aprovação imediata do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e alertando que a demora no marco regulatório pode comprometer investimentos. “O Redata não morreu; esta é a mensagem. Hoje, depende de decisão do Senado”, fez questão de salientar o presidente da Brasscom.
O melhor cenário de investimentos era de R$ 500 bilhões (ou US$ 100 bilhões) até 2030, mas isso não se concretiza mais, segundo Affonso Nina. Os R$ 400 bilhões seriam, portanto, o topo do setor. Desse total, o relatório da Brasscom divide em R$ 299,5 bilhões para equipamentos (alvo dos incentivos fiscais) e R$ 99,8 bilhões de infraestrutura.
Déficit na balança comercial
Uma das consequências da aprovação do Redata é a oportunidade de inserção do Brasil na cadeia da economia digital. O País conta com parque em expansão que combina escala (205 unidades de data centers) e operação sustentada por energia majoritariamente renovável.
Enquanto isso, o País registra déficit na balança comercial de TIC. “A infraestrutura de processamento de dados não está no Brasil, que ainda depende do processamento fora do País. Temos, cada vez mais, importado que exportado estes serviços; e precisamos ter esta infraestrutura”, destacou Nina.
O aumento do déficit na balança de TIC foi freado pelo aumento nas exportações de serviços de telecomunicações, computação e informações, que cresceram em 24,7%, 4,4 pontos porcentuais a mais em relação às importações.
No entanto, no cômputo geral, as exportações somaram em 2025 R$ 62,0 bilhões, um crescimento de 20,8%, enquanto as importações foram de R$ 254,9 bilhões, 11,5% a mais na comparação anual. Com isso, a balança comercial registrou déficit de R$ 192,9 bilhões (+8,8%).





