
A empresa Preserva Ação, responsável pela administração judicial da empresa, protocolou junto ao juízo da recuperação judicial da companhia um relatório preocupante. Ele sustenta que, do jeito que está, a Oi corre sério risco de parar suas operações a partir de 01 de agosto. Falta dinheiro no caixa – por falta de recursos e a desconfiança crescente da sociedade com relação ao grupo Oi.
O documento também faz uma forte crítica à mineira Método, que comprou por R$ 60 milhões a unidade de serviços telefônicos e, até agora, não pagou nem se posicionou junto aos órgãos reguladores para concretizar a aquisição. O documento foi revelado pelos sindicatos dos trabalhadores do grupo, que já sofrem com a falta de pagamento aos funcionários da Serede, e alertam para a situação dos funcionários do grupo Oi.
A gestão da recuperação judicial da Oi observa que, em abril havia a previsão de fluxo de caixa para o final de julho da ordem de R$ 88 milhões, mas sem conseguir receber pela venda da unidade de serviços telefônicos nem vender a Oi Soluções – pela qual o Grupo queria R$ 1,4 bilhão, mas teve leilão deserto -, a nova previsão de fluxo de caixa foi revista para R$ 19,6 milhões.
Destaca ainda que a Oi vive sob grande desconfiança da sociedade, o que impede a adoção de medidas que permitam o ingresso de receitas. “A crescente desconfiança do mercado em relação status de solvabilidade do Grupo OI impede a adoção de medidas que resultem no ingresso de receitas operacionais ordinárias, seja através de novos contratos, seja através de oferta de novos produtos , bem como, acarreta a migração dos clientes da OI para outras operadoras , impactando negativamente as projeções”, reforça o documento.
A Preserva Ação afirma que a realidade atual do Grupo Oi – com apenas R$ 19,6 milhões em caixa – “torna a operação insustentável do ponto de vista de sua continuidade operacional a partir de 01/08/2026, o que exigirá maior sacrifício no pagamento de fornecedores essenciais e folha de pessoal, para garantir a mínima operação dos serviços públicos essenciais ainda não transferidos para terceiro”.
O documento traz duras críticas à Método Engenharia que arrematou a unidade de serviços telefônicos da Oi. “Essa demora injustificada da Método impede o ingresso de R$ 60,1 milhões no caixa do Grupo Oi, além de postergar a transição dos serviços públicos englobados na UPI, perpetuando a oneração da Companhia com custos operacionais que já não possui condições de suportar. 15. Assim, torna -se necessária a intimação, em caráter de urgência, da empresa Método para que, no prazo de 5 (cinco) dias, celebre o Contrato de Compra e Venda da UPI Serviços Telefônicos e comprove o pagamento integral do preço de R$ 60.100.000,00, na forma do Edital e da decisão homologatória proferida em 08.04.26, sob pena de aplicação de multa no valor correspondente a 50% (cinquenta por cento) do preço da arrematação”.
O Convergência Digital já vinha procurando a Anatel – para saber da situação da Método Engenharia, e as informações eram a de que a empresa não entrou com pedido de anuência para a aquisição da unidade da Oi, o que impediria a atuação da agência reguladora. O Convergência Digital também procurou uma autoridade do Governo quando os boatos da suspensão de serviços públicos da Oi começaram a circular. Essa autoridade disse que ‘a sociedade não seria prejudicada e um acordo estava sendo feito”. Ao que parece, agora, o Grupo Oi explicitou a grave situação antes mesmo da falência ser decretada pela Justiça.



