Opinião

A capacitação e o poder de destravar o potencial da América Latina

Estamos acompanhando o nascimento de uma nova geração de profissionais que chamo carinhosamente de "AI Translators".

Por Amanda Gelumbauskas*

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa tecnológica distante para se tornar a força motriz de uma nova economia global. No entanto, o verdadeiro motor dessa transformação não são os algoritmos ou as infraestruturas de nuvem, mas as pessoas. Estamos diante de uma janela de oportunidade histórica: o momento de usar a tecnologia não apenas para otimizar processos, mas para impulsionar o talento humano e gerar crescimento real para a nossa sociedade.

A oportunidade por trás da demanda

Hoje, a discussão em torno da tecnologia evoluiu. Sabemos que o Brasil e a América Latina enfrentam uma alta demanda por profissionais de tecnologia e o mercado estima a necessidade de centenas de milhares de novos talentos nos próximos anos.

Um estudo recente da consultoria Bain & Company revelou que a demanda por profissionais com habilidades em IA tem crescido 21% ao ano desde 2019. Como reflexo, 39% dos executivos brasileiros apontam que a falta de expertise interna é o principal obstáculo para avançar com a implementação da inteligência artificial nas empresas, superando até mesmo as preocupações com segurança de dados.


Mas, em vez de olharmos para esse cenário como um déficit intransponível, devemos enxergá-lo como a maior oportunidade de inclusão produtiva da nossa geração. A história nos mostra que os países e regiões que aceleraram a formação de seus talentos durante os grandes ciclos tecnológicos foram os que capturaram mais rapidamente os ganhos de desenvolvimento e qualidade de vida. Com a inteligência artificial, a velocidade dessa transformação é inédita e abre portas para quem estiver preparado.

O surgimento dos “AI Translators”

Não estamos falando apenas da necessidade de formar desenvolvedores tradicionais. Estamos acompanhando o nascimento de uma nova geração de profissionais que chamo carinhosamente de “AI Translators”. São pessoas capazes de conectar as necessidades reais de um negócio, seja em marketing, finanças, recursos humanos ou operações, às aplicações práticas da inteligência artificial.

A IA se tornará uma competência essencial para quase todas as profissões, assim como o inglês e a alfabetização digital se tornaram em outros momentos. O foco da capacitação de excelência hoje deve ser a formação de profissionais que vão além de operar ferramentas: precisamos formar solucionadores de problemas reais.

O talento já existe, mas precisamos democratizar o acesso

Quando olhamos para o Brasil e para a América Latina, vemos um ecossistema vibrante. Temos uma população jovem, altamente criativa, resiliente e com uma enorme vontade de crescer e transformar suas realidades. O nosso desafio nunca foi a falta de capacidade, mas sim a falta de acesso.

É aqui que o investimento estruturado em programas de capacitação se torna o maior diferencial competitivo que o setor privado pode oferecer. Ao criarmos e apoiarmos iniciativas de educação tecnológica – especialmente aquelas que removem barreiras financeiras e sociais – estamos fazendo muito mais do que preencher vagas. Estamos democratizando as competências do futuro. A educação em tecnologia é, hoje, um dos motores mais eficientes para promover empregabilidade, mobilidade social e diversidade nas empresas.

Investir na formação de talentos é uma aposta de longo prazo no desenvolvimento sustentável da nossa região. A responsabilidade de preparar essa nova geração não pertence a um único setor, mas a todo o ecossistema corporativo. Quando capacitamos pessoas, fortalecemos clientes, parceiros, startups e toda a cadeia de inovação.

A tecnologia tem o poder de ditar o ritmo do amanhã, mas é a educação que garante que todos tenham a oportunidade de fazer parte dele. Ampliar o acesso à aprendizagem em inteligência artificial não é apenas uma agenda educacional corporativa; é uma poderosa agenda de desenvolvimento humano e econômico. O futuro é brilhante, e ele será construído por talentos que, hoje, só precisam de uma oportunidade para começar.

Amanda Gelumbauskas é Head do Oracle Next Education (ONE) para a América Latina

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