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Fundo dos EUA compra Elea Data Centers e aposta no Brasil com US$ 10 bilhões para expansão

Gestora ficará com cerca de 67% da companhia, enquanto a Piemonte Holding, do fundador Alessandro Lombardi, manterá 33%. Elea tem 9 data centers em operação.

O fundo I Squared Capital, dos EUA vai assumir o controle da brasileira Elea Data Centers, em uma operação que inaugura um novo ciclo de investimentos no setor de infraestrutura digital no país, com foco na expansão de capacidade e no avanço de projetos voltados à inteligência artificial.

Pelos termos do acordo, a gestora norte-americana ficará com cerca de 67% da companhia, enquanto a Piemonte Holding, do fundador Alessandro Lombardi, manterá participação de aproximadamente 33%. O valor total da transação não foi divulgado, mas a I Squared já se comprometeu a investir R$ 2,5 bilhões no curto prazo e apoiar um plano de expansão estimado em US$ 10 bilhões nos próximos anos.

Lombardi permanecerá à frente da operação por pelo menos sete anos, condição considerada central para o acordo. Segundo o executivo, a entrada de um investidor com maior capacidade financeira era necessária para viabilizar projetos de grande escala. “Um projeto pode ser economicamente viável, mas sem capital ele não sai do papel”, afirmou.

A Elea opera atualmente nove data centers distribuídos por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba e Porto Alegre, atendendo clientes corporativos e grandes empresas de tecnologia. A companhia também possui um pipeline superior a 1 GW em desenvolvimento e cerca de 300 MW em terrenos com energia já garantida.

Entre os principais projetos está o Rio AI City, um complexo de data centers voltado à inteligência artificial, previsto para o Parque Olímpico do Rio de Janeiro, com capacidade estimada de até 1,5 gigawatt. A iniciativa é apontada como um dos pilares da estratégia de expansão da empresa e do posicionamento do Brasil como polo emergente de infraestrutura digital.


Segundo o diretor de investimentos da I Squared, Gautam Bhandari, a Elea reúne condições para se tornar uma plataforma de grande escala em um dos mercados que mais crescem no mundo. Ele destacou a presença nacional da companhia, a disponibilidade de terrenos energizados e o acesso à infraestrutura elétrica como diferenciais para sustentar a expansão.

O movimento ocorre em um contexto de forte crescimento da demanda por data centers no Brasil, impulsionada pela expansão da computação em nuvem, da inteligência artificial e do processamento de dados em larga escala. O país é considerado o maior mercado da América Latina e se beneficia da oferta de energia renovável em larga escala, fator cada vez mais decisivo para a instalação desse tipo de infraestrutura.

Além dos planos de expansão, a Elea vem ampliando sua atuação com contratos relevantes. A empresa fechou um acordo de R$ 2,3 bilhões com a Petrobras para fornecimento de infraestrutura de data centers voltada a supercomputadores, utilizados no processamento de dados científicos ligados à exploração e gestão de reservatórios.

A companhia também mantém no mercado cerca de R$ 790 milhões em títulos vinculados a metas de sustentabilidade, emitidos no ano passado com participação de instituições financeiras como Bradesco BBI, UBS BB, BTG Pactual, Itaú BBA e Santander. Esses instrumentos vinculam condições financeiras ao cumprimento de metas como eficiência energética e diversidade na liderança.

Fundada no Rio de Janeiro, a Elea tem apostado na expansão para além do eixo Rio-São Paulo e avalia oportunidades em cidades como Salvador, Belo Horizonte, Belém e Manaus, ainda com baixa oferta de infraestrutura desse tipo. A estratégia, segundo Lombardi, é manter o caráter pioneiro na interiorização do setor.

A conclusão da operação com a I Squared ainda depende de condições contratuais e deve ocorrer nas próximas semanas. A entrada do novo controlador é vista como um marco para a empresa e para o mercado brasileiro de data centers, que passa por um momento de aceleração e crescente interesse de investidores globais.

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