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IA exige salto na capacidade energética e desafia conectividade dos data centers 

Inteligência artificial mudou o jogo e requer ajustes nos data centers.

A inteligência artificial requer ajustes nos data centers, porque ela mudou o jogo para infraestrutura: ao mesmo tempo em que seguem necessários recursos tradicionais, novos são adicionados à equação. Além disso, as exigências são distintas para data centers que fazem o treinamento da inteligência artificial generativa e aqueles usados apenas para inferência.

O redesenho das redes vem exigindo investimentos dos principais hyperscales da ordem de US$ 695 bilhões globalmente e uma demanda energética que pode ser até 200 vezes superior aos modelos atuais, conforme assinalou Ivana Lemos, consultora sênior de marketing de produto da Ciena, que moderou painel sobre redes de IA no Abring Global Congress 2026.

Ao dimensionar o mercado, Lemos apontou que já são cerca de 12 mil data centers no mundo sustentando a revolução da IA. No entanto, o Brasil ainda caminha a passos lentos. Segundo Agostinho Villela, CTO da Scala Datacenters, o País incorpora apenas 100 megawatts por ano — o que representa mero 1% da capacidade dos Estados Unidos.

“O paradigma mudou. Hoje, racks de data center voltados para IA demandam entre 150 kW e 200 kW”, alertou Villela. Ele destacou que, no treinamento de modelos de ponta — processo que pode levar cem dias ininterruptos —, o data center opera como um único e massivo computador interconectado por milhões de fibras, onde a energia é o critério soberano de instalação, seguida imediatamente pela conectividade.

Para Augusto Salomon, presidente da Cirion Brasil, a energia é apenas o primeiro obstáculo. “Na hora que o gargalo elétrico for resolvido, virá o da conectividade. Hoje, as redes atendem apenas 30% da demanda necessária para IA”, afirmou. Salomon enfatizou que o uso de IA nas empresas não é mais opcional, mas uma vantagem competitiva e ressaltou que as corporações começam usando inteligência artificial na nuvem.


Localização é tudo. “Hoje o principal critério para instalar data center é onde está a energia e a reboque vem a conectividade”, salientou Villela, da Scala Datacenters. Falando sobre regiões, o CTO destacou que a Scala tem operações no Sul no Brasil com data center ligado no grid com energia limpa.

Para Décio Coraça, diretor de engenharia de vendas da Ciena, data centers buscam fontes de energia elétrica e, portanto, as localidades devem ter energia e também conectividade. “Data centers não vivem isolados; as redes têm de ser pensadas dentro de demanda por conectividade”, assinalou Coraça.

A tendência é a segregação entre data centers de aprendizado, que requerem alta densidade e consumo, e data centers de inferência, que devem ficar mais próximos ao usuário final. “A inferência deve ficar hospedada próxima ao provedor de internet para garantir a baixíssima latência, que é o que o IX.br já entrega. O provedor que estiver atento a essa hospedagem local de inferência será o mais beneficiado”, pontuou Oripide Cilento Filho, do Nic.br. “O provedor de internet deve se preparar: assim como hoje abriga CDNs, em breve abrigará a inferência da IA para garantir latência ao usuário”, acrescentou Cilento Filho.

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