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Inteligência Artificial ultrapassa Segurança e nuvem e assume 1º lugar na agenda estratégica de empresas nacionais

Estudo da ABES mostra que sete em cada dez organizações brasileiras já investem ou planejam investir em agentes inteligentes no curto prazo, mas há percalços a serem enfrentados, entre eles, a qualidade dos dados, modernização dos sistemas legados e governança.

O Brasil encerrou 2025 com 41.613 empresas atuando nos segmentos de software e serviços, movimentando um mercado de US$ 35,4 bilhões, revela o Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2025, realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Software, ABES, divulgado nesta segunda-feira, 15/6.

A pesquisa mostra ainda que a Inteligência Artificial Generativa e os Agentes de IA lideram a agenda estratégica das empresas brasileiras para 2026, sendo apontados por 53% dos executivos como o tema prioritário para os investimentos em tecnologia. Segurança da informação e segurança em nuvem aparecem na sequência, com 41%, seguidas por Inteligência Artificial e Machine Learning (35%), infraestrutura de nuvem (24%) e Big Data e Analytics (24%).

A adoção dos agentes de IA também avança rapidamente, de acordo com os dados analisados pela ABES. Atualmente, 40% das empresas já realizam investimentos nessa tecnologia, enquanto outras 33% pretendem iniciar projetos nos próximos 12 meses. Na prática, mais de sete em cada dez organizações brasileiras já investem ou planejam investir em agentes inteligentes no curto prazo.

Mas, apesar do avanço, os desafios permanecem. Questões relacionadas à qualidade dos dados, modernização de sistemas legados, governança, escalabilidade dos projetos e escassez de profissionais especializados continuam entre os principais obstáculos para ampliar o uso da Inteligência Artificial em escala corporativa.

“Os dados mostram que as empresas brasileiras avançaram da fase de experimentação para a implementação prática da Inteligência Artificial. Os agentes de IA passam a ocupar um papel cada vez mais relevante na automação de processos, na produtividade e na geração de novos modelos de negócio. Ao mesmo tempo, observamos um mercado de tecnologia cada vez mais distribuído regionalmente e sustentado por um ecossistema robusto de empresas inovadoras”, afirma, Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo.


Mercado segue pulverizado e liderado por pequenos negócios

O levantamento aponta ainda que o ecossistema brasileiro de software e serviços continua sendo impulsionado por pequenas empresas. Das 41.613 organizações identificadas, 62,5% são microempresas e 31,8% são pequenas empresas. Juntas, elas representam 94,3% de todo o setor.

As médias empresas correspondem a 3,4% do mercado, enquanto as grandes organizações representam apenas 2,3%. No recorte por atividade, as empresas de serviços lideram com 37,6% do total, seguidas por distribuidoras de tecnologia (33,3%) e desenvolvedoras de software (29,1%).

Do lado da demanda, o setor financeiro continua sendo o maior consumidor de tecnologia no Brasil, respondendo por 25,4% de todo o mercado de software e serviços. Na sequência aparecem os segmentos de Serviços e Telecomunicações (24,3%) e Indústria (19,5%), consolidando três verticais que juntas concentram aproximadamente 70% dos investimentos nacionais em software e serviços.

O mercado comprador movimentou US$ 35,4 bilhões em 2025, distribuídos entre Finanças (US$ 8,99 bilhões), Serviços e Telecom (US$ 8,61 bilhões), Indústria (US$ 6,92 bilhões), Varejo (US$ 3,53 bilhões), Setor Público (US$ 2,44 bilhões), Óleo e Gás (US$ 1,34 bilhão), Agronegócio (US$ 670 milhões) e outros segmentos da economia.

Investimentos em TI se tornam mais distribuídos pelo país

O estudo também aponta uma tendência consistente de desconcentração geográfica dos investimentos em tecnologia. Embora o Sudeste permaneça responsável por 62,37% dos investimentos nacionais em TI, sua participação vem diminuindo ao longo dos últimos anos. Em 2012, a região concentrava 65% dos aportes.

O Sul ampliou sua participação de 12% para 16% no mesmo período, enquanto o Norte passou de 2% para 3%. O Nordeste manteve participação próxima a 8%, reforçando o movimento gradual de expansão da economia digital para além dos grandes centros tradicionais. Em 2025, a distribuição dos investimentos em TI ficou dividida entre Sudeste (62,37%), Sul (15,86%), Centro-Oeste (10,96%), Nordeste (7,70%) e Norte (3,12%).

De acordo com a IDC, o mercado brasileiro seguirá crescendo em 2026, embora em ritmo mais seletivo e orientado à eficiência operacional. A expectativa é de crescimento de 5,3% para TI, 3,9% para Telecom e 4,6% para Business IT, segmento que engloba serviços, outsourcing, cloud e soluções corporativas.

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