
O Brasil vive um paradoxo digital. De um lado, o País oferece o “cenário dos sonhos” para a expansão de data centers voltados à inteligência artificial (IA), uma vez que conta com energia renovável abundante, território vasto, estabilidade geológica e neutralidade geopolítica. Do outro, uma alta barreira tributária sobre a importação de componentes críticos — como as GPUs —, o que coloca o país em desvantagem competitiva frente ao resto do mundo.
“A inteligência artificial generativa não tem volta, mas impostos não nos deixam desenvolver. Temos energia disponível e grande quantidade de terras. A única coisa que ficamos atrás é imposto. A média de impostos para supercomputadores gira em torno de 3% a 6% no mundo considerando a carga tributária total. No Brasil pré-Redata, é 55%, ou seja, mais de dez vezes a média global”, ressaltou Felipe Patane, diretor de inteligência artificial generativa na Oracle para América Latina, ao participar de painel que debateu o panorama brasileiro de data centers, nuvem e IA no TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, nesta quinta-feira (30/4), em Santana de Parnaíba.
“Não só não passou o Redata, como aumentou o imposto de importação e a alíquota saiu de 55% para 78%”, acrescentou Patane, para quem o momento atual se compara a revoluções industriais passadas. “No século 20, as cidades que avançaram foram as que construíram portos e rodovias. No século 21, quem vai participar da evolução é quem investir em IA”, afirmou.
Também falando sobre o Redata, Alessandro Molon, diretor-executivo da Digia (Aliança pela Infraestrutura Digital e Internet Aberta), ressaltou que a entidade luta por infraestrutura digital robusta. Ele reforçou a necessidade de segurança jurídica e previsibilidade e destacou a necessidade de aprovação do Redata para tornar a importação de equipamentos atraente e garantir investimentos de longo ciclo, como os exigidos por data centers e infraestruturas de saúde digital e telemedicina.
“O Brasil precisa de um Redata para tornar mais atraente a importação de equipamentos ou adotar medidas regulatórias que garantam previsibilidade para investimentos de longos ciclos, como são, por exemplo, os data centers, voltados para a inteligência artificial”, destacou o executivo no mesmo painel. Molon lembrou que o Brasil não compete apenas consigo mesmo, mas com o mundo todo por capital intensivo.





