Anatel quer dados georreferenciados e mapas precisos sobre cobertura celular
Agência colocou em consulta pública uma nova metodologia de coleta, com dados exatos de onda há sinal disponível.

A Anatel colocou em consulta pública, por 30 dias, uma proposta de mudar como é medida a cobertura de telefonia móvel no país. A iniciativa prevê a criação de um modelo de coleta direta de dados das operadoras, substituindo gradualmente o uso predominante de estimativas e simulações por informações reais, extraídas da operação das redes.
Para mostrar a cobertura efetiva do Serviço Móvel Pessoal, as operadoras deverão informar, por exemplo, mapas precisos das áreas atendidas, com dados espaciais em alta resolução, capazes de indicar com maior exatidão onde há ou não sinal disponível. A intenção é substituir estimativas agregadas por uma representação mais fiel da cobertura, localidade por localidade.
A mudança proposta tem objetivo declarado de não depender de modelos preditivos, como os utilizados no sistema Mosaico, em vigor, e priorizar dados primários, georreferenciados e fornecidos pelas próprias prestadoras, com maior nível de detalhe e aderência à realidade.
Além disso, a Anatel pretende padronizar o formato dessas informações, exigindo dados estruturados e comparáveis entre as empresas. A ideia é abandonar indicadores excessivamente técnicos e pouco acessíveis, como medições isoladas de intensidade de sinal, e avançar para métricas mais compreensíveis, que possam ser utilizadas tanto pelo regulador quanto pela sociedade.
Outro eixo da proposta é o uso desses dados como insumo para políticas públicas. Com informações mais precisas, a agência busca melhorar a definição de metas de cobertura, orientar compromissos de investimento, como os associados a leilões de espectro, e identificar áreas ainda desassistidas. Na prática, o objetivo é transformar a coleta de dados em uma ferramenta de inteligência regulatória.
A motivação para a mudança está ligada a limitações já identificadas pela própria agência. O uso de modelos preditivos tem gerado distorções, como a classificação de áreas como atendidas quando, na prática, não há cobertura adequada. Esse tipo de imprecisão afeta diretamente o desenho de políticas públicas e pode levar tanto à imposição de obrigações desnecessárias quanto à omissão em regiões críticas.
Ao optar pela coleta direta de dados, a agência passa a lidar com questões de governança de dados, como padronização, auditoria e processamento de grandes volumes de informação.
O regulador reconhece que a proposta traz custos e desafios relevantes. Entre eles estão o volume massivo de dados geográficos a ser tratado, a necessidade de adaptação das operadoras para gerar e enviar as informações e a demanda por infraestrutura tecnológica para armazenamento e análise desses dados.
A avaliação da agência é de que os ganhos superam os riscos. A expectativa é que a nova abordagem reduza a incerteza regulatória, aumente a transparência e permita comparações mais objetivas entre prestadoras.





