
O avanço da presença feminina nas áreas de tecnologia passa, de forma decisiva, por mudanças na educação, na cultura organizacional e no papel das lideranças. E como destacado por mulheres que chegaram à alta liderança, o que ainda é escasso, exige intenção e patrocínio efetivo das empresas.
No debate sobre liderança feminina durante o Education & Women in Tech Forum, promovido pela Huawei nesta terça, 31 de março, em Brasília, a superintendente de relações com o consumidor da Anatel, Cristiana Camarate, lembrou que a baixa participação feminina nas carreiras tecnológicas começa ainda na infância. Entre 6 e 7 anos, meninas passam a acreditar que não são boas em matemática.
“Os números não são muito animadores, mas o fato concreto é que a gente precisa continuar atuando. Na Anatel, as mulheres são 25% do quadro de servidores. E quando a gente olha para os números mais a fundo, a gente vê que 22% estão na alta liderança, superintendentes ou gerentes. E quando a gente olha para os cargos de alta assessoria, 52% são mulheres. Os números estão contando uma história, uma narrativa muito clara sobre o que seria o papel da mulher na liderança.’
A presidente da EAF, Gina Duarte, reforçou a importância do estímulo desde cedo e o papel das famílias nesse processo. Engenheira de formação, ela relembrou que, em sua turma, havia apenas três mulheres — realidade que começa a mudar nas novas gerações. “Ainda existe um viés que direciona meninas para áreas de humanas, mas isso não é verdade. É algo cultural que precisa ser enfrentado”, afirmou.
Para Duarte, além do ambiente familiar, políticas públicas e iniciativas corporativas são essenciais para ampliar a participação feminina, incluindo programas de mentoria e ações estruturadas dentro das organizações. Ela defendeu que empresas assumam protagonismo na promoção da diversidade e criem condições para que mulheres, especialmente mães, avancem em suas carreiras.
A discussão também destacou a necessidade de incentivar o protagonismo feminino desde cedo. A CEO da Claro Empresas PME, Roberta Godoi, ressaltou que, além da formação técnica, é fundamental estimular meninas a se posicionarem e assumirem responsabilidades. “Muitas vezes, as mulheres esperam validação e acabam perdendo oportunidades”, afirmou.
Godoi apresentou dados da Claro, onde as mulheres representam 42% do quadro e 33% da liderança. Apesar dos avanços, ela reconheceu que ainda há concentração em áreas operacionais e de atendimento, com menor presença em cargos estratégicos. “Há coisas que não podem mais depender da espontaneidade. É preciso agir com intenção”, disse, ao defender políticas corporativas mais ativas para promover a equidade.
Já a assessora executiva do ONS, Sumara Ticom, trouxe a perspectiva do setor elétrico, historicamente dominado por homens. Segundo ela, a entrada e ascensão de mulheres nesses ambientes dependem diretamente do apoio da alta liderança. “Isso não acontece sem patrocínio. É preciso haver incentivo explícito e mudança cultural”, afirmou.
Ela citou o movimento “Sim, Elas Existem”, criado no setor elétrico para dar visibilidade a profissionais qualificadas para cargos de direção e conselhos. Também relatou experiências pessoais em que o reconhecimento por parte de lideranças foi determinante para fortalecer sua confiança e trajetória profissional.
Embora haja avanços, a igualdade de gênero nas áreas de tecnologia ainda exige ações coordenadas entre educação, empresas e políticas públicas. Mais do que ampliar o acesso, o desafio agora é garantir permanência, desenvolvimento e ascensão das mulheres em um setor considerado estratégico para a economia digital.
“Esse é um movimento não-silencioso, é um movimento de fato. A equidade é importante e faz parte do equilíbrio. A Huawei não só investe como pratica, tem mulheres em liderança e incentiva os nossos parceiros, clientes e fornecedores do ecossistema”, apontou o vice presidente de relações públicas da Huawei, mediador do painel, Atilio Rulli.





