TV via satélite enfrenta o desafio da audiência digital e para ampliar interatividade

O papel do satélite em um ecossistema de mídia cada vez mais interativo e conectado foi tema de um painel no SET Expo 2026, nesta quarta-feira, 19/8. O debate reuniu lideranças do setor para analisar o sucesso do sistema TVRO (Television Receiver Only) no Brasil, as inovações da fase TVRO 2.5 e a tendência global de integração entre o conteúdo linear e as plataformas de streaming.
Guilherme Saraiva, diretor de Vendas Mídia e Satélite da Claro empresas, destacou o impacto transformador do lançamento do TVRO em banda Ku (SAT HD Regional) há quatro anos. Ele lembrou que o Brasil conta hoje com 15,4 milhões de receptores ativados, o que representa uma penetração de 22% nos lares com televisão. O sistema oferece 187 canais lineares, sendo 83 de TV aberta, além de 33 emissoras de rádio.
Um dos pontos altos da apresentação foi o fenômeno da micro regionalização. O satélite permitiu que canais regionais e segmentados chegassem gratuitamente a populações que, de outra forma, teriam acesso limitado à informação local. “Demos acesso ao Brasil a canais regionais, como a TV Diário de Fortaleza, TV Meio Norte e TV Verdes Campos (PI) e vimos crescer o perfil de segmentação dos canais”, afirmou Saraiva.
A viabilidade econômica também é um pilar desse crescimento, com kits completos de recepção custando cerca de R$ 250 (aproximadamente US$ 40), tornando-se a solução ideal para cidades com menos de 50 mil habitantes, onde a instalação de transmissores terrestres muitas vezes não se justifica financeiramente.
Apesar do sucesso, o setor enfrenta o desafio da audiência digital, que já detém 38% do market share nas grandes metrópoles. Para responder a isso, a indústria prepara a transição para a TVRO 2.5, que visa trazer recursos de interatividade para o satélite baseando-se em quatro pilares estratégicos:
- Medição de audiência via conexão à internet.
- Monetização avançada através de Inserção Comercial Dinâmica (DAI), carrosséis de ofertas e banners.
- Interatividade com a inclusão de aplicativos.
- Manutenção da qualidade HD com áudio otimizado, priorizando a eficiência de custos em relação ao 4K.
Convergência e o modelo híbrido
Renato Sviresky, CTO da Mileto Tecnologia, compartilhou a experiência da empresa ao assumir a operação de TV via satélite da Oi. O foco da Mileto tem sido garantir a perpetuidade do negócio através da convergência. Com o lançamento do MilPlay e a parceria recente com a TIM para o TIM Play, a empresa oferece uma experiência que une o melhor dos dois mundos: o alcance do satélite e a flexibilidade do streaming. ” Temos streaming, satélite e uma oferta convergente para os clientes”, explicou Sviresky.
Complementando a visão de mercado, Deepak Mathur, presidente da SES Mídia, trouxe uma perspectiva global, observando que, após um período de incerteza, a TV linear está se estabilizando mundialmente, à medida que os consumidores buscam simplificar sua experiência de consumo em plataformas que organizam o conteúdo.
De acordo com Mathur, a tendência é que grandes produtores de conteúdo, como Netflix e HBO Max, integrem-se cada vez mais ao ecossistema do satélite. “É inevitável que, com o tempo, vamos integrar conteúdos da HBO Max ou da Netflix, porque eles são produtores de conteúdo”, previu o executivo, citando o exemplo da França, onde a Netflix já transmite canais estatais em sua plataforma.





