InovaçãoMercado

Stablecoins: Regulação é urgente para transformar os pagamentos

As stablecoins se consolidaram como um dos temas mais disruptivos do sistema financeiro brasileiro. Com o potencial de redefinir as transações cotidianas e corporativas, esses ativos digitais pareados a moedas fortes mostram sua força em estatísticas oficiais. Segundo a Receita Federal, as stablecoins já respondem por 80% do que é declarado em criptoativos no país, movimentando um montante superior a R$ 15 bilhões. Esse crescimento expressivo é impulsionado, principalmente, pela busca de segurança e agilidade em pagamentos e liquidações.

No cenário nacional, a vertical de pagamentos desponta como o caso de uso mais maduro. De acordo com Raphael Palacio Soares, head de IT Digital assets do BTG Pactual, a consolidação desse ecossistema exige uma ponte digital para a moeda tradicional. “Com o mercado tokenizado avançando, precisamos de uma representação digital da moeda. As tecnologias blockchain tiram um pouco da fricção e isso pode aumentar a escala para os players brasileiros”, acredita.

Ele revela que o BTG Pactual acumula uma jornada de nove anos de testes nesse setor. Após emitir tokens imobiliários em 2019 e de varejo em 2022, o banco lançou sua própria stablecoin em 2023, mantendo-a em circuito fechado para entender as demandas dos clientes e aguardar a regulação.

Uma grande oportunidade reside na eficiência operacional e na otimização de fluxos internacionais para empresas. Larissa Moreira, gerente de produtos digital assets do Itaú Unibanco, destaca que a infraestrutura bancária potencializa esses novos ativos. “Há uma demanda de pessoas físicas para fazer transações, mas em empresas ainda tem uma capacidade adicional quando conectamos com a infraestrutura do sistema bancário. Isso traz ganhos operacionais em capital de giro, liberação de garantias”, explica.

Ela conta que o Itaú iniciou sua atuação por investimentos e, posteriormente, realizou pilotos com empresas em países específicos para explorar a velocidade e a redução de custos das transações. Para o futuro, o banco projeta uma experiência invisível ao usuário final, onde Pix seja usado domesticamente e stablecoins façam o cross-border. “Nosso papel é entregar o benefício e o valor para o cliente de forma transparente em todos os níveis”, defende.


Apesar dos benefícios, a convivência de um sistema 24×7 com o mercado tradicional traz desafios. Fabricio Tota, vice-presidente de negócios do Mercado Bitcoin (MB), acredita que a eficiência é inegável, mais ainda depende de adaptações ao sistema financeiro. Ele lembra que o Brasil conta hoje com cerca de dez iniciativas nichadas de stablecoins para casos específicos, como liquidação entre exchanges e transações internacionais.

De todo modo, Tota enfatiza que os próximos 12 meses serão cruciais para consolidar essas soluções, especialmente com a chegada das regras do Banco Central. De fato, a regulação é vista por todos como o divisor de águas que trará a chancela oficial ao mercado e alavancará o fluxo institucional para o modelo.

Botão Voltar ao topo