SAP

Grupo M. Dias Branco avança com IA para se tornar uma empresa autônoma 

Gigante brasileira da indústria alimentícia está investindo pesado no treinamento de pessoas em IA com mais de 2 mil pessoas treinadas na organização.

Dois anos e meio após fazer a virada para o SAP S/4HANA, a gigante brasileira em massas e biscoitos M. Dias Branco amadureceu a operação com o novo o sistema de gestão e, agora, mira avançar com inteligência artificial rumo a ser uma empresa autônoma, mas sem deixar de ter o ser humano como centro das decisões. Ao participar do SAP Now AI Tour Brazil 2026, nesta quinta-feira, 10/9, Luciane Sallas, diretora-executiva-financeira da M. Dias Branco, destacou que a decisão pela mudança não foi tecnológica, mas de negócio: não barrar o crescimento da companhia que se internacionaliza, tem 22 fábricas e exporta para mais de 40 países, contabilizando R$ 10 bilhões em receitas.

Em 2022, foi decidido mexer na espinha dorsal no momento em que a empresa crescia. “Sem tecnologia e sem dado padronizado, jamais cresceria e nosso maior desafio era fazer desta agenda do SAP S/4HANA uma agenda de zero customização. Não conseguimos zero, mas, ficamos em 7%. Mudar de ferramenta não foi agenda de tecnologia, mas de promover nosso crescimento com dados integrados”, disse Sallas.

Antes do SAP S/4HANA, a M. Dias Branco operava por meio de 120 sistemas legados. “Agora temos fechamento contábil mais ágil, no quinto dia útil já temos margem de contribuição de todas as SKUs e antes do SAP eram 2 meses depois”, explicou.

Desde o ano passado, a empresa conta com IA embarcada e também implantou o Sistema de Execução de Manufatura MES, software de gestão industrial que conecta o planejamento da empresa com o chão de fábrica, controlando e otimizando a produção em tempo real. “Isso trouxe redução de sobrepeso, descartes e ganhos de manutenção — temos IoT e manutenção preventiva”, contou.

Também busca casos de uso de inteligência artificial. “A condição número um é ter dado único, padronizado e segurança cibernética”, afirmou a executiva. Hoje, a M. Dias Branco opera um volume de dados que chega a 11 terabytes transacionados. Todos os vendedores têm suporte de copilotos de vendas. “Mas não adianta nada de se não tiver o humano; o human in the loop; e isso não é só sobre potencializar a capacidade humana, mas ter um CPF responsável por cuidar do dado”, enfatizou.

A companhia levou a cabo treinamento e letramento em inteligência artificial dos funcionários. Contabiliza, até agora, 2 mil pessoas treinadas na organização, do operacional ao conselho, em modelos específicos e também incluindo temas de ética. “Autonomia, no fim, é o oposto de perder o controle.” A M. Dias Branco tem três agentes de IA, um deles o copiloto de vendas, que soma 60 mil interações no Brasil inteiro.

Falando sobre lições aprendidas, a diretora-financeira ressaltou a importância de ter um caso de negócio bem-montado, conectado ao planejamento estratégico, levando em conta o mapa de risco e com alavancas claras para medir os resultados. Ela ponderou que poderia ter estendido mais o tempo dedicado à gestão de mudança, um tópico que não pode ser subestimado. “Talvez devêssemos ter deixado o time de gestão de mudança por mais tempo. Mas fomos muito disciplinados no treinamento; treinamos 200 pessoas para serem embaixadores em SAP.”

A companhia conseguiu finalizar a adoção do novo sistema de gestão empresarial não com zero personalização, que era o “mantra”, mas com 7%; ainda assim, um porcentual comemorado pelos executivos. “A M. Dias Branco é uma empresa de 70 anos e queremos ser mais ágil e inovadora. Sabíamos que fazer a mudança era importante. Já revisitamos o business case e provamos que deu certo. E é um começo sem volta; depois do go live já implementamos analytics e ferramenta logística, sempre com a mentalidade de crescimento.”

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