SAP: Empresas brasileiras estão ávidas para usar mais IA
"O desafio agora não é quando, porque já está acontecendo, mas como sair da IA pontual e escalar isso para operação da empresa, que dê resultado de negócio", afirma o CEO da SAP Brasil, Rui Botelho.

A discussão sobre inteligência artificial mudou entre as companhias brasileiras. Elas avançaram da fase de testes e estão começando a escalar aplicações de IA. A tendência é de acelerar a adoção, com as empresas, cada vez mais, usando IA para customizar e otimizar tarefas e, tendo à frente como nova fronteira, o uso de agentes. Contudo, apenas 3% dos respondentes brasileiros no estudo The Value of AI: Brazil 2026, realizado pela SAP em parceria com a Oxford Economics, se dizem totalmente preparados para implementar e escalar agentes de IA.
“O desafio agora não é quando, porque já está acontecendo, mas como sair da IA pontual, em que toda empresa está fazendo algo, e escalar isso para a operação, que dê resultado de negócio. É o uso de IA para o negócio, com objetivo do negócio. Para ter sucesso na implementação de IA, dados corretos, governança e o contexto de negócio fazem toda a diferença”, frisou Rui Botelho, presidente da SAP Brasil.
Em coletiva de imprensa durante o SAP NOW AI Tour Brazil, nesta terça-feira, 9/9, ele ressaltou que a expectativa de retorno financeiro com IA agêntica está escalando rápido entre as companhias nacionais, que projetam 15% de ROI em agentes de IA nos próximos dois anos (até 2028), o equivalente a US$ 24,8 milhões. A cifra cresceu mais de quatro vezes em relação ao levantamento anterior, de US$ 3,8 milhões, publicado em 2025.
Ressaltando uma fala de Adriana Aroulho, presidente da SAP América Latina e Caribe, na abertura do evento, Botelho voltou a reforçar que não importa apenas os dados estarem disponíveis; eles devem ser corretos e têm de ter contexto de negócio por trás. “O ERP é o cérebro para a IA e fundamental para escalar a IA com segurança e de forma consistente”, disse.
O estudo apontou que as empresas brasileiras devem investir, em média, US$ 20,8 milhões em IA neste ano, frente aos US$ 14,2 milhões apurados no levantamento anterior. A expectativa é de que o montante continue subindo em ritmo cada vez mais acelerado nos próximos dois anos, crescendo 46% ante 36% na pesquisa anterior. “A tendência é de crescimento. O ROI cresceu de 16% para 19%, com expectativa de chegar a 38% nos próximos dois anos. Então, é uma tendência positiva tanto em aumento de investimento quanto no aumento do retorno”, frisou. O retorno sob investimento chegou a US$ 5,5 milhões e, até 2028, deve bater os US$ 13,6 milhões.
Hoje, 26% das tarefas nas empresas brasileiras já são apoiadas por IA, porcentual que deve chegar a 44% em dois anos. Contudo, a maior parte dos processos não conversa entre si. A pesquisa da SAP revelou que houve avanço, mas a abordagem para adoção de IA só é feita de forma estratégica e integrada em 18% dos casos. No ano passado, apenas 6% das empresas adotavam um olhar holístico para este processo. O modelo mais comum continua sendo a adoção por projeto, citado por 48% das empresas.
IA agêntica
No entanto, no que se refere à IA agêntica, apenas 3% das empresas brasileiras disseram estar totalmente preparadas para implementar e escalar agentes de IA. No Brasil, 77% das empresas afirmaram que agentes de IA têm potencial moderado a alto para transformar suas organizações e 55% já pilotaram casos de uso com essa tecnologia.
No total, 64% das empresas disseram estar satisfeitas com o ROI em IA em geral (não apenas IA agêntica). No entanto, 65% afirmaram não estar convencidas de que suas implementações entregam todo o potencial da tecnologia. Entre as empresas que já experimentam ou usam IA agêntica, o estudo apontou que todas relataram ao menos um desafio na adoção. Os principais eram: esforço de integração maior do que o esperado (61%); aumento de problemas de confiabilidade ou qualidade conforme o uso e escala (54%); resultados inconsistentes entre equipes ou regiões para o mesmo processo (45%); agentes tomando ações incorretas (40%); e dificuldade de reproduzir ou depurar o comportamento dos agentes (39%).
“Isso resume o momento em que nos encontramos: saímos do será que vou usar IA, e há um enorme interesse do mercado, há muita gente pilotando e experimentando a tecnologia. Agora temos de construir as condições necessárias para escalar de forma empresarial a tecnologia”, resumiu Botelho, para quem as barreiras não estão na tecnologia em si, mas na disponibilidade de dados e na governança.
Dos entrevistados, 75% disseram acreditar que dados e disponibilidade dos dados são os maiores desafios, seguido de 65% que mencionaram a falta de expertise dos usuários em usar IA e 58% apontaram ausência de alinhamento interno organizacional no uso de IA.
Outro desafio foi o uso das ferramentas de IA que não estão formalmente aprovadas pelas companhias. Entre as empresas brasileiras, 82% afirmaram que colaboradores usam ferramentas de IA de terceiros sem aprovação ou supervisão formal ao menos ocasionalmente. Isso, segundo a SAP, tem gerado impactos nocivos aos negócios: 50% relataram resultados inconsistentes ou imprecisos, 43% apontaram vazamento de dados ou exposição de propriedade intelectual, 32% citaram vulnerabilidades de segurança e 31% mencionaram violações de compliance.
“Conseguir levar a IA e escalá-la para toda operação da empresa exige muita confiança; executivos precisam saber quais riscos estarão endereçados e isso só vem com boa governança, tratamento correto dos dados e processos muito sólidos”, resumiu Botelho. Em suma, o presidente da SAP Brasil apontou que as empresas brasileiras estão investindo mais que no passado e “ávidas por entender como podem aplicar mais IA”.
A pesquisa ouviu 2.600 líderes de negócios em 13 países, incluindo 200 respondentes no Brasil. No recorte brasileiro, os dados mostram aumento no uso, no investimento e no retorno obtido com a inteligência artificial.



