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AWS faz acordo bilionário com Força Aérea dos EUA em meio a nova rodada de demissões em massa

Contrato ficou em quase R$ 3 bilhões e intgra a a plataforma de nuvem da Força Aérea dos EUA,

A Amazon Web Services (AWS) foi escolhida para fornecer serviços de computação em nuvem à Força Aérea dos Estados Unidos em um contrato avaliado em US$ 581,3 milhões (R$ 3 bilhões), em meio a um amplo processo de reestruturação do grupo Amazon, que anunciou recentemente o corte de cerca de 16 mil postos de trabalho em todo o mundo nesta etapa, depois de outra rodada em outubro passado. No total, os cortes chegam a 30 mil. O acordo foi divulgado pelo Departamento de Defesa norte-americano em 26 de janeiro e terá vigência até 7 de dezembro de 2028.

O contrato integra o programa Cloud One, a plataforma de nuvem da Força Aérea dos EUA, e prevê que os serviços sejam prestados em instalações designadas pela contratada em todo o território continental do país. O órgão responsável pela contratação é o Air Force Life Cycle Management Center, sediado na base aérea de Hanscom, em Massachusetts. Trata-se do segundo contrato firmado no âmbito do Cloud One apenas neste mês. No início de janeiro, a Microsoft também foi contemplada com um acordo de US$ 170,4 milhões, igualmente com prazo até dezembro de 2028.

O Cloud One é uma iniciativa distinta do Joint Warfighting Cloud Capability, programa mais amplo do Departamento de Defesa. Lançado em 2022, o Cloud One foi apresentado como uma plataforma multicloud avaliada em cerca de US$ 800 milhões, baseada principalmente em serviços da AWS, Microsoft Azure e Google Cloud, com previsão de inclusão da Oracle. A primeira fase do programa teve vigência até 2024.

A nova contratação ocorre em um momento de contrastes para a Amazon e sua divisão de nuvem. A empresa informou nesta semana que está eliminando 16 mil empregos globalmente, três meses após anunciar o corte de outros 14 mil postos, em um esforço para enxugar sua estrutura após a forte expansão registrada durante a pandemia. A Amazon emprega cerca de 1,5 milhão de pessoas no mundo, e a maior parte das demissões deve se concentrar nos Estados Unidos, embora também haja impacto no Reino Unido.

Segundo comunicado interno assinado por Beth Galetti, vice-presidente sênior de experiência de pessoas e tecnologia, as mudanças organizacionais buscam reduzir camadas hierárquicas, aumentar a autonomia das equipes e eliminar burocracia. Ela afirmou que os cortes não representam o início de um ciclo recorrente de demissões e que a empresa seguirá contratando e investindo em áreas consideradas estratégicas para o futuro do grupo. Nos Estados Unidos, funcionários afetados terão até 90 dias para buscar recolocação interna.


O anúncio oficial dos cortes ocorreu horas depois de funcionários da AWS receberem, por engano, um convite para uma reunião virtual com uma executiva sênior, posteriormente cancelada, acompanhado de um rascunho de e-mail que mencionava as demissões. A mensagem, assinada por Colleen Aubrey, vice-presidente sênior de soluções de inteligência artificial aplicada da AWS, referia-se ao plano como “Project Dawn” e indicava de forma equivocada que empregados nos Estados Unidos, Canadá e Costa Rica já haviam sido notificados.

Apesar do ajuste de pessoal, a AWS mantém uma estratégia agressiva de expansão no segmento governamental. No fim de 2024, a empresa anunciou planos de investir US$ 50 bilhões na ampliação de sua capacidade de inteligência artificial e supercomputação voltada a clientes do governo dos Estados Unidos. As obras devem começar em 2026 e incluem a construção de novos data centers capazes de adicionar cerca de 1,3 gigawatt de capacidade computacional às regiões AWS Top Secret, AWS Secret e AWS GovCloud, cobrindo todos os níveis de classificação exigidos por agências federais.

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