Crise da Oi: Trabalhadores cobram urgência das autoridades para evitar colapso nos serviços e atraso de salários
"Os trabalhadores não podem ser transformados nas principais vítimas de uma crise financeira que não provocaram", sustentam os sindicatos. Oi já informou que pode parar a partir do dia 01 de agosto.

As Federações representativas dos trabalhadores em telecomunicações realizaram uma reunião com a direção da Oi para discutir a grave situação econômico-financeira da empresa e os impactos que a crise pode provocar sobre milhares de trabalhadores e sobre a continuidade da prestação de serviços essenciais de telecomunicações em todo o país. A Oi já informou que pode parar a partir do dia 01 de agosto por falta de dinheiro em caixa.
Durante o encontro, a administração da Oi informou que enfrenta uma severa restrição de caixa, agravada pelo atraso na conclusão de importantes operações de venda de ativos e pelo bloqueio de recursos que seriam fundamentais para recompor sua liquidez. Segundo a empresa, caso esse cenário não seja revertido nas próximas semanas, poderão surgir dificuldades para honrar compromissos financeiros, inclusive relacionados a eventuais verbas rescisórias.
As Federações manifestaram grande preocupação com a possibilidade de que os trabalhadores sejam novamente penalizados pela crise financeira da companhia. As entidades defenderam que a preservação dos empregos deve ser prioridade absoluta e reafirmaram que qualquer medida envolvendo redução do quadro de pessoal deve ocorrer somente mediante negociação e com garantia integral dos direitos trabalhistas.
Outro ponto debatido foi o risco de comprometimento da continuidade dos serviços prestados pela Oi, caso a empresa não consiga superar o atual cenário financeiro. Para as Federações, trata-se de uma questão que extrapola os interesses empresariais, alcançando o interesse público, uma vez que milhões de brasileiros dependem diariamente da infraestrutura e dos serviços de telecomunicações operados pela companhia.
Na carta aberta ao mercado, as entidades defendem a abertura imediata de uma mesa institucional envolvendo o Governo Federal, a Anatel, o Ministério das Comunicações, o Ministério do Trabalho, a Casa Civil, o Tribunal Superior do Trabalho e demais órgãos competentes, com o objetivo de construir soluções que assegurem a continuidade dos serviços, a preservação dos empregos e o respeito aos direitos dos trabalhadores.
As Federações também defendem a criação de uma agenda permanente de acompanhamento da crise, reunindo representantes da empresa, dos trabalhadores, dos credores e do Poder Judiciário, buscando soluções negociadas para garantir estabilidade ao setor.
“Os trabalhadores não podem ser transformados nas principais vítimas de uma crise financeira que não provocaram. É indispensável que todos os atores institucionais atuem com urgência para preservar empregos, garantir os direitos trabalhistas e assegurar a continuidade de um serviço essencial para a população brasileira”, afirmam as Federações.



