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Dataprev faz testes de desconexões de nuvem com big techs e pede ambição do Brasil no salto digital

Presidente da estatal, Rodrigo Asumpção, defendeu um posicionamento pragmático com relação à Inteligência Artificial.

O futuro da inteligência artificial (IA) no Brasil e a manutenção da soberania nacional dependem, antes de discussões teóricas ou sobre modelos de linguagem, de um investimento maciço e imediato em infraestrutura física. O alerta foi feito por Rodrigo Assumpção, presidente da Dataprev, durante sua participação no SECOP 2026 nesta quinta-feira, 6.

O executivo destacou a urgência de alinhar a ambição do País ao tamanho do desafio tecnológico global, já que a garantia de uma infraestrutura soberana e segura é a base para que o Brasil possa decidir seu próprio caminho na era da IA. Para Assumpção, o cenário atual exige uma consciência profunda sobre a aceleração da demanda por infraestrutura tecnológica.

Ele pontuou que, embora o Brasil possua pontos de convergência importantes, o nível de ambição atual ainda é insuficiente frente aos obstáculos que se apresentam. “O nível de nossa ambição não está à altura desse desafio”, afirmou, reforçando que é necessário construir agora os alicerces que garantirão o direito de escolha do País em relação ao uso de IA nos próximos anos.

Um dos pontos centrais abordados por Assumpção foi a temporalidade das obras físicas. Ele enfatizou que a discussão sobre Large Language Models (LLMs), conceitos e desenvolvimento de modelos só será produtiva se houver, previamente, uma infraestrutura robusta de energia e de data centers. “Precisamos começar a discutir seriamente a infraestrutura de energia, de data center etc. Porque essas coisas levam de dois a três anos para ficar prontas.”

A soberania, sob essa ótica, não é uma abstração jurídica, mas uma realidade material. “Isso não é sustentado com leis, mas com máquinas, com grandes áreas físicas e energia”, destacou. O executivo defende que o Brasil precisa articular um salto exponencial em sua capacidade para consolidar o que chama de infraestrutura nacional de dados, algo vital para a própria existência do Estado e do Brasil como nação.


O papel estratégico da Dataprev

A relevância dessa infraestrutura é traduzida em números: a Dataprev é responsável por rodar, mensalmente, a segunda maior folha de pagamentos do mundo, atendendo a 42 milhões de benefícios. Além dos dados previdenciários e sociais, a empresa está acolhendo dados educacionais, consolidando-se como o custodiante de informações que permitem ao governo federal operar. “Imagina o que aconteceria se não conseguíssemos rodar isso”, provocou Assumpção, ilustrando o risco de negligenciar a sustentação física desses serviços.

Apesar de o Brasil estar entre os cinco principais países do mundo na área digital, os desafios estão se acelerando. Para não perder o ritmo, a Dataprev tem adotado estratégias práticas enquanto desenvolve sua própria nuvem. A empresa contratou três “nuvens residentes” em seus próprios data centers para fazer testes de performance e identificar dependências. “Estamos realizando testes concretos enquanto ainda não temos nossa nuvem própria”, revelou o presidente.

No campo da inteligência artificial, o posicionamento brasileiro deve ser, segundo Assumpção, pragmático e focado na absorção de tecnologia. Ele defende que o País não deve apenas observar o que nações como a China estão fazendo, mas sim trazer essa tecnologia para o território nacional. Essa diversificação de parceiros é vista como uma forma de aumentar a competitividade e reduzir a dependência, inclusive financeira, das tecnologias norte-americanas, sendo necessário lidar com ambas as potências.

A segurança em IA também foi destacada como um campo que exige experimentação prática e a formação de equipes locais capacitadas. Assumpção acredita que a segurança só será alcançada através do uso contínuo da tecnologia para testar e rever processos. Para isso, ele considera essencial contar com parceiros locais que dominem a tecnologia de fato, e não apenas atuem como vendedores. “Sem usar e sem experimentar, não tem saída”, concluiu, reiterando a necessidade de suporte técnico especializado para sustentar a operação soberana do país.

Em entrevista exclusiva à CDTV, o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, falou sobre a nuvem soberana da estatal. Reforçou que a nuvem soberana da Dataprev está sob o controle da estatal de TI. E adiantou que nesse momento está realizando testes de desconexão da nuvem hospedada na Dataprev com a nave-mãe da nuvem pública. “Precisamos ter um diagnóstico preciso sobre o quanto tempo eu sobrevivo se tiver um problema. Não estou falando em contrato, mas de desconexão por qualquer problema”, frisou. Falou ainda sobre a contratação de novos profissionais para a estatal de TI.

Com colaboração de Fábio Barros

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