Opinião

A infraestrutura que sustenta a revolução da inteligência artificial

Nenhuma estratégia de inteligência artificial funciona sem uma infraestrutura tecnológica preparada para sustentá-la.

Por Alberto Pittigliani*

A inteligência artificial passou a ocupar o centro das estratégias de negócios. Empresas de todos os setores buscam adotá-la para aumentar a produtividade, automatizar processos e criar oportunidades de crescimento.

Mas nenhuma estratégia de inteligência artificial funciona sem uma infraestrutura tecnológica preparada para sustentá-la.

Os investimentos globais em data centers devem ultrapassar US$ 1 trilhão em 2026. Os quatro maiores hyperscalers ampliaram seus aportes em infraestrutura em mais de 60% no último ano. A inteligência artificial exige capacidade computacional, conectividade, armazenamento e processamento em escala inédita.

O Brasil ocupa posição privilegiada: concentra aproximadamente 48% da capacidade instalada de data centers da América Latina e se consolida como polo estratégico para empresas que buscam segurança, disponibilidade e proximidade dos mercados consumidores.


Ainda existe, porém, um equívoco recorrente: acreditar que há uma resposta única para todos os desafios. Algumas organizações defendem a migração integral para a nuvem. Outras preferem manter a operação em ambiente próprio. A escolha depende do negócio, das aplicações, das exigências regulatórias, do volume de dados e dos objetivos estratégicos.

Ambientes on-premise são indispensáveis quando há demanda por baixa latência, controle da infraestrutura, conformidade regulatória ou soberania dos dados. A nuvem oferece elasticidade, escalabilidade e rapidez. Entre os dois modelos, avançam as arquiteturas híbridas, que integram plataformas conforme cada carga de trabalho.

A discussão deixou de ser “cloud ou data center” e passou a ser “qual arquitetura entrega mais valor para este negócio”.

Na Q13, acompanhamos esse processo com empresas públicas e privadas. Nossa experiência como integradora mostra que projetos bem-sucedidos começam antes da compra de equipamentos, com um diagnóstico da operação, dos riscos e das necessidades futuras.

Participamos de grandes projetos de conectividade, incluindo a instalação de mais de mil pontos de acesso à internet em escolas públicas do Nordeste e em comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Essas iniciativas reforçam uma convicção construída em mais de três décadas: a tecnologia só gera transformação quando responde a necessidades reais.

Inteligência artificial, conectividade, nuvem, cibersegurança e processamento de dados caminham juntos. A infraestrutura deixou de ser suporte e se tornou um ativo estratégico, capaz de determinar a velocidade de inovação, a eficiência operacional e a competitividade das empresas.

Mais importante do que acompanhar tendências é tomar decisões apoiadas em critérios técnicos, planejamento e visão de longo prazo.

A revolução da inteligência artificial já começou. E será construída não apenas pelos algoritmos que ganham as manchetes, mas pela infraestrutura que permite inovar com segurança, desempenho e confiabilidade.

* Alberto Pittigliani é sócio-fundador e diretor geral da Q13

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