
A edição de 2026 do Índice de Desenvolvimento das TIC confirma os padrões identificados em edições anteriores. A pontuação média global de 79 (em 100) sugere que o mundo fez progressos substanciais em direção à conectividade universal e significativa (UMC); no entanto, ainda persistem lacunas significativas.
Composto por dez indicadores divididos em dois pilares principais — conectividade universal e conectividade Significativa —, o ICT Development Index (IDI), publicado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), acompanha o desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação em 159 economias, incluindo o Brasil.
O índice deste ano mostra que a pontuação média global para as 159 economias avaliadas é de 79 em 100. Há uma disparidade global, com um fosso de 75 pontos entre o país com a pontuação mais alta e o mais baixo. Os países de baixo rendimento apresentaram média de 42; os de rendimento médio-baixo, de 69; os de rendimento médio-alto, de 83 e os de rendimento alto, de 93.
O desempenho no IDI mantém uma forte correlação com níveis mais amplos de desenvolvimento, com pontuações médias variando de 42, em economias de baixa renda, a 93, em economias de alta renda. Ao mesmo tempo, grandes disparidades dentro das regiões demonstram que os resultados de conectividade são influenciados por fatores que vão além da simples geografia.
O desenvolvimento digital está fortemente correlacionado com o desenvolvimento econômico (rendimento nacional bruto per capita), embora com retornos marginais decrescentes em níveis de rendimento mais altos.
A Europa lidera com média de 93, seguida da Comunidade de Estados Independentes (87), sendo os grupos com melhor desempenho e maior homogeneidade. Entre as regiões intermediárias estão Ásia-Pacífico (80), Américas (79) e Estados Árabes (78), apresentando médias semelhantes, mas com extremas disparidades internas. Já a África é a região com a menor pontuação média (59), registrando uma diferença de 64 pontos entre o melhor e o pior desempenho regional.
No que se refere à conectividade, a média global do pilar de conectividade significativa (85) supera a do pilar de conectividade universal (73). As pontuações na conectividade significativa são impulsionadas pela infraestrutura (implementação de redes por operadoras), que evolui mais rapidamente, enquanto a conectividade universal depende do comportamento do consumidor (uso e adoção da Internet), evoluindo de forma mais lenta.
O relatório apresenta a evolução de indicadores entre as edições de 2023 e 2026. A publicação utiliza a metodologia adotada pela UIT em 2023 e reúne informações sobre aspectos relacionados à conectividade universal e significativa, incluindo acesso, uso da internet, infraestrutura, acessibilidade econômica e qualidade da conectividade.
Em uma era definida pela rápida transformação digital, as tecnologias de informação e comunicação (TICs) são fundamentais tanto para o progresso econômico quanto para a participação social. No entanto, o pleno aproveitamento de seus benefícios depende não apenas da disponibilidade, mas também das condições sob as quais as pessoas podem acessá-las e utilizá-las de forma eficaz.
Nesse contexto, o conceito de conectividade universal e significativa (CUS) ganhou destaque como objetivo de políticas públicas. A CUS descreve uma situação em que todos podem acessar a Internet em condições ideais e a um custo acessível, a qualquer hora e em qualquer lugar, possibilitando experiências online produtivas e enriquecedoras. De acordo com o relatório, em vez de defender uma conectividade permanente, a CUS enfatiza a importância de um acesso confiável e acessível sempre que necessário.
O Índice de Desenvolvimento de TICs (IDI) foi concebido para avaliar o progresso de países e regiões em direção à conectividade universal e significativa, servindo de ferramenta para embasar a formulação de políticas baseadas em evidências e acompanhar o desenvolvimento digital global.
A pontuação geral do IDI reflete o desempenho combinado dos indicadores. Devido à disponibilidade limitada de dados e às restrições inerentes à abordagem baseada em índices, o IDI fornece apenas uma avaliação parcial da situação de um país em relação à CUS. Por exemplo, ele não inclui nenhum indicador relacionado à penetração de banda larga fixa, nem contempla aspectos de segurança e habilidades, que são dois fatores-chave para viabilizar a CUS.
A metodologia inalterada ao longo de seu período de vigência de quatro anos possibilita a análise de tendências. Para um conjunto comparável de 151 economias, a pontuação média global do IDI evoluiu de 74, na edição de 2023, para 80, na edição de 2026 — um aumento de 6 pontos. O progresso mais rápido ocorreu em contextos de renda mais baixa. Economias de baixa renda registraram uma melhoria média de 8 pontos na pontuação, enquanto economias de renda média-baixa avançaram 10 pontos. A pontuação média da África aumentou 9 pontos no mesmo período.
Todos os grupos de renda e regiões apresentaram melhorias em ambos os pilares do IDI, com ganhos mais expressivos no pilar de conectividade significativa. Como resultado, a diferença de desempenho entre os dois pilares aumentou desde a edição de 2023. Isso reflete o fato de que alguns indicadores incluídos no pilar de conectividade significativa — em particular a cobertura de rede móvel, o tráfego e a acessibilidade financeira — permitem uma evolução mais rápida.
As pontuações normalizadas melhoraram em todos os indicadores desde a edição de 2023. O tráfego de banda larga móvel registrou a maior evolução, seguido pelas assinaturas de banda larga móvel. Os valores médios de cobertura de rede móvel e de posse de telefones celulares já eram elevados em edições anteriores, apresentando pouca variação entre os grupos de renda. Em contrapartida, os dois indicadores de tráfego e os dois indicadores de acessibilidade financeira permanecem distantes de suas respectivas metas e continuam a apresentar disparidades significativas entre os grupos de renda.
O relatório aponta que existem oportunidades de melhoria em todos os grupos de renda. Economias de baixa renda devem priorizar o acesso e o uso da Internet, a penetração da banda larga móvel e a acessibilidade financeira. Economias de renda média e alta precisam melhorar a penetração da banda larga móvel e o tráfego por assinatura.




