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Brasileiro está usando a IA como conselheira, suporte emocional e até como companhia

Já entre as empresas brasileiras, 69% declararam armazenar dados pessoais de clientes e/ou usuários. Entre os tipos de dados sensíveis investigados pela pesquisa, a biometria permaneceu como a mais frequentemente armazenada pelas organizações (31%), seguida por dados de saúde (26%).

A terceira edição da Pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgada nesta segunda-feira, 31 de agosto, investigou a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa sob a ótica da privacidade. Embora a utilização profissional ou acadêmica seja a mais comum, os dados mostram que não são raros os casos de uso dessas plataformas para aconselhamento, suporte emocional e companhia.

Para melhor caracterizar a natureza desse uso, o levantamento mapeou os tipos de informação fornecidos para as ferramentas entre os usuários de IA generativa. Das categorias investigadas, “temas de trabalho ou de estudo” foi a mais mencionada (73%). Na sequência, aparecem: “preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas” (58%), “sentimentos e emoções” (54%), “dados de saúde, como sintomas e exames” (52%) e “fotos suas ou de pessoas conhecidas” (50%). As categorias menos citadas foram “finanças pessoais, como orçamentos e investimentos” (41%) e “dados pessoais, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF” (37%).

Entre os usuários de IA generativa, a maioria (66%) declara estar preocupado ou muito preocupado com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas. Esse nível de preocupação é maior entre os que combinam celular e computador (68%) e entre aqueles com nível mais alto de escolaridade (72%).

” A incorporação da IA generativa ao cotidiano dos usuários de Internet traz novas questões para a agenda de privacidade e proteção de dados pessoais. Os resultados mostram a importância de acompanhar não apenas a disseminação dessas ferramentas, mas também os tipos de informação que os usuários compartilham e suas preocupações em relação ao tratamento desses dados “, destaca Barbosa.

Proteção de dados pessoais nas empresas brasileiras


Entre as empresas brasileiras, 69% declararam armazenar dados pessoais de clientes e/ou usuários. Entre os tipos de dados sensíveis investigados pela pesquisa, a biometria permaneceu como a mais frequentemente armazenada pelas organizações (31%), seguida por dados de saúde (26%). Entre as empresas que mantêm dados de clientes e usuários, 9% informaram armazenar informações pessoais de menores de 18 anos. Esse percentual alcança 21% entre aquelas de grande porte e 19% no setor de alojamento e alimentação.

O estudo aponta para um quadro de estabilidade na implementação de estruturas formais de governança ou adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD): 40% das empresas realizaram reuniões específicas sobre o tema, 32% contrataram consultorias ou assessorias externas especializadas, 20% mantêm uma área ou funcionários dedicados a atividades de proteção de dados e, apenas 16%, nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO).

Entre as medidas investigadas pela pesquisa, as mais reportadas pelas empresas foram a alteração de contratos vigentes (30%), a criação de política de uso de dados de funcionários (29%) e o desenvolvimento de política de privacidade (28%).

A pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais é realizada pelo Cetic.br, departamento do NIC.br, com apoio da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Em sua terceira edição, o estudo tem como objetivo mapear o cenário atual e compreender os principais desafios para a construção de um ecossistema digital que garanta a privacidade e a proteção de dados pessoais no Brasil. Para tanto, a pesquisa reúne indicadores coletados junto a indivíduos, empresas e organizações públicas, identificando suas práticas e percepções sobre o tema.

O estudo reúne dados provenientes da pesquisa Painel TIC e das pesquisas TIC Empresas 2025, TIC Governo 2025, TIC Saúde 2025 e TIC Educação 2024 e 2025, permitindo acompanhar a evolução dos resultados ao longo das diferentes edições e abordar temas emergentes relacionados à proteção de dados pessoais. Os resultados completos, a metodologia e a publicação na íntegra estão disponíveis no site do Cetic.br: https://cetic.br/pt/pesquisa/privacidade-e-protecao-de-dados-pessoais/.

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