Ericsson: O momento do 5G Standalone é agora no Brasil e IA exige que as teles mudem e arrisquem mais
Chegou a hora de as teles avançarem com os seus produtos comerciais, como o network slicing ou fatiamento de redes, para ganhar mais dinheiro com o 5G, diz Paulo Bernardocki, diretor de Soluções de Rede da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.

Não será fácil, mas as teles precisam experimentar mais para tirarem o proveito da Inteligência Artificial, sustenta Paulo Bernardocki, diretor de Soluções de Rede da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. Em coletiva online realizada nesta terça-feira, 23/6, o executivo assumiu até que os próprios fornecedores, como a própria Ericsson, precisam e estão mudando.
“Ninguém sabe o que vai acontecer e tudo está muito incerto com a inteligência artificial. Tecnicamente a rede 5G está preparada para a IA, mas as teles têm de explorar. O ciclo de geração de produtos está muito mais curto. Teles e nós, fornecedores, temos de mudar nossa cultura para sermos mais ágeis. A Ericsson mudou e está mudando”, disse.
Para Bernardocki, a corrida pela adoção do 5G standalone (5G SA) – mesmo sendo uma obrigação do leilão, ainda é pouco ativado pelas teles – e pelo lançamento de ofertas de fatiamento de rede (network slicing) vai começar agora no Brasil, impulsionada pela transição de frequências do 4G para o 5G. “Chegou a hora de fazer o lançamento comercial do 5G SA para ganhar mais dinheiro. Quem fizer mais rápido, terá uma vantagem competitiva”, assinalou Bernardocki. De acordo com o Ericsson Mobility Report, divulgado este mês, em todo o mundo, 84 operadoras já lançaram ofertas de fatiamento de rede, nenhuma na América Latina.
O diretor da Ericsson destaca ainda que, em termos de infraestrutura, o uplink – que até então perdia vez para o downlink – se torna um grande desafio por conta do avanço da Inteligência Artificial. “O uplink já está chegando no limite e sendo estressado no mundo. Dependendo de como a IA avançar, as redes terão de mudar e aumentar a capacidade”, relata. Previsão confirmada pelo Ericsson Mobility Report. O estudo aponta que o tráfego do uplink poderá crescer entre duas e cinco vezes até 2031, dependendo da velocidade de adoção das aplicações de IA.

A pesquisa revela que a América Latina possui, hoje, 110 milhões dos cerca de três bilhões assinantes 5G existentes no mundo. Em 2031, a expectativa é de que a região tenha 550 milhões de assinantes, o que significará multiplicar por cinco a atual base. “Mas temos de admitir que a América Latina está muito distante dos outros continentes no avanço do 5G”, observa. Ainda que atrás, segundo o relatório, o tráfego móvel latino-americano deverá crescer de 8 para 21 exabytes por mês até 2031 e o consumo médio mensal por smartphone passará de 15 GB para 32 GB.
Boa parte desse consumo de tráfego virá, sim, de vídeo e das redes sociais, mas a Internet das Coisas (IoT) desponta como um vetor de expansão. Segundo dados citados durante a apresentação, baseados na Anatel, os acessos IoT cresceram cerca de 15% no Brasil entre abril de 2025 e abril de 2026, enquanto as linhas tradicionais de smartphones avançaram apenas 1%. Em 2025, foram 4,5 bilhões de acessos IoT no mundo. Expectativa é que eles cheguem a 8 bilhões em 2031.





