
Uma em cada três organizações brasileiras sem fins lucrativos usam ferramentas de inteligência artificial generativa para uso em seus processos de trabalho; 90% delas utilizaram a Internet nos 12 meses anteriores e houve avanço da computação em nuvem, com o armazenamento de arquivos passando de 21% para 39% e o uso de softwares de escritório em nuvem de 11% para 32%. Os dados são da pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025, lançada, nesta terça-feira (7/7), pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
A aplicação mais comum da inteligência artificial generativa é na geração de textos (27%), seguida da criação de imagens ou vídeos (20%) e do desenvolvimento de códigos de programação (10%). As maiores proporções de adoção dessas ferramentas foram registradas entre organizações ligadas à religião (45%) e à educação e pesquisa (42%), seguidas por saúde e assistência social (31%) e cultura e recreação (20%).
Entre 2022 e 2025, as organizações sem fins lucrativos também ampliaram a contratação de serviços de computação em nuvem. A adoção de soluções para armazenamento de arquivos ou bancos de dados passou de 21% para 39%. Já o uso de e-mail em nuvem cresceu de 19% para 36%, enquanto o de software de escritório saltou de 11% para 32%.
No mesmo período, houve aumento na posse de dispositivos: celulares institucionais passaram de 35% para 52% e tablets, de 11% para 29%, enquanto o uso de celulares pessoais segue predominante (67%).
Quanto à conectividade, 90% das organizações utilizaram a Internet nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 80% possuíam redes com Wi-Fi. A oferta de Wi-Fi gratuito ao público cresceu de 38% para 60%, com destaque para instituições de religião (75%), saúde e assistência social (54%), educação e pesquisa (53%) e desenvolvimento e defesa de direitos (51%).
Em nota, Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br | NIC.br, explica que, desde 2012, quando a pesquisa começou a ser realizada, a presença de dispositivos e do acesso à Internet passou a fazer parte do cotidiano das organizações. Nessa edição, foram incluídos outros fatores que indicam maiores capacidades para lidar com as tecnologias digitais, como IA e computação em nuvem.
Manuella Maia Ribeiro, Coordenadora de Projetos de Pesquisa TIC no Cetic.br | NIC.br, acrescenta que, frequentemente, as organizações sem fins lucrativos operam com equipes reduzidas, e a IA serve de apoio em diversas frentes, como na otimização de processos internos, no relacionamento com o público ou na captação de recursos para garantir a própria sustentabilidade.

A TIC Organizações Sem Fins Lucrativos, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mapeou a infraestrutura, o uso e a apropriação das tecnologias digitais nas ONGs brasileiras. Em 2025, foram entrevistados 1.306 responsáveis por organizações sem fins lucrativos, selecionados aleatoriamente com base no Cadastro Central de Empresas (Cempre) 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No campo da presença online, 46% das organizações afirmaram possuir website, com maior proporção entre instituições de educação e pesquisa (62%) e religião (62%). Nas redes sociais, 80% das organizações têm perfil ou conta própria em alguma plataforma, sendo que as mais utilizadas são: Instagram, TikTok ou Flickr (70%), WhatsApp ou Telegram (66%), Facebook (65%) e YouTube ou Vimeo (45%). Entre 2022 e 2025, destaca-se o crescimento do Instagram, TikTok ou Flickr (de 48% para 70%) e do LinkedIn (de 9% para 20%).
Para Barbosa, os dados reforçam que a presença no ambiente digital tem se consolidado como parte da rotina das organizações sem fins lucrativos, fortalecendo iniciativas como a captação de recursos e a divulgação de suas atividades.
Já com relação à privacidade e proteção de dados, a existência de área institucional ou pessoa responsável nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) aumentou entre as organizações sem fins lucrativos de 29% em 2022 para 52% em 2025. Entre as organizações com website, que representam 46% do total, a pesquisa identificou avanços na implementação de medidas relacionadas à LGPD.
A visibilidade online da política de privacidade, documento que informa como os dados pessoais são tratados pela entidade, avançou de 49% para 69%. A existência de canal de atendimento no website para titulares de dados enviarem mensagens passou de 48% para 68%, e a divulgação da política de segurança da informação cresceu de 44% para 67%.
Por outro lado, a pesquisa aponta lacunas na capacitação: apenas 31% das organizações ofereceram treinamento interno sobre privacidade e proteção de dados, e 18% custearam cursos externos para pessoas remuneradas ou voluntárias nos 12 meses anteriores à pesquisa.





