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Sem controle humano, Inteligência Artificial é uma dependência química

A afirmação é do pesquisador Guto Niche, que defende uma "reforma existencial" para que a tecnologia potencialize, e não substitua, a capacidade crítica das pessoas.

Investir em inteligência artificial, infraestrutura e metodologias sem dedicar a mesma atenção ao desenvolvimento das pessoas pode comprometer o retorno das próprias iniciativas de transformação digital. A reflexão foi apresentada pelo professor, pesquisador, escritor e gestor de RH Dr. Guto Niche durante a palestra “O inverno da cognição: IA, dados e o futuro”, realizada no segundo dia do 2º Encontro Nacional de TIC do Sistema S., realizado pela Network Eventos, em Brasília.

Segundo ele, organizações têm ampliado os investimentos em tecnologia enquanto reduzem o espaço para o desenvolvimento do capital humano, criando um cenário em que soluções avançadas acabam sendo subutilizadas por falta de preparo das equipes. E aqui ele não faz referência à capacitação para uso das tecnologias, mas ao desenvolvimento de capacidades de colaboração, conhecimento de vida e cognitivas.

Ao apresentar o conceito de “inverno da cognição”, Niche fez uma analogia ao chamado “inverno da IA” das décadas de 1960 a 1980. Se antes havia modelos matemáticos, mas faltava capacidade computacional para executá-los, hoje ocorre o inverso: temos abundância de dados e tecnologia, mas escassez de pessoas preparadas para interpretar informações, questionar respostas e construir conhecimento.

Para o especialista, o uso indiscriminado da IA, sem um questionamento baseado em conhecimento, pode estimular uma espécie de “atrofia cognitiva”, tornando as pessoas excessiva e quimicamente dependentes da tecnologia e menos propensas ao pensamento crítico, à colaboração e ao aprendizado contínuo. “A IA pode gerar dependência química nas pessoas. Não adianta investir em tecnologia e metodologias contemporâneas quando não desenvolvemos novas racionalidades e uma cultura capaz de sustentar essas transformações”, defendeu.

Guto Niche conversou com a CDTV e detalhou conceitos como o “inverno da cognição”, a relação entre IA e dependência cognitiva e a necessidade de uma “reforma existencial” para que as pessoas retomem o protagonismo sobre seu próprio desenvolvimento.


Na entrevista, ele também explica por que o fortalecimento do pensamento crítico, do repertório cultural e do autoconhecimento deve começar como um compromisso individual, antes mesmo de se tornar uma iniciativa das organizações. Assista à entrevista completa e conheça as reflexões do especialista sobre os desafios humanos da transformação digital.

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