Mercado

Senior disponibiliza ERP operável por ChatGPT e Claude

Arquitetura conecta modelos de IA ao sistema de gestão. Empresa diz ser o primeiro para a América Latina.

A Senior anunciou um novo marco para o mercado de software de gestão ao lançar o, que chama, de primeiro ERP da América Latina gerenciado em modelos de linguagem de grande escala (LLMs), como ChatGPT, Claude e SARA, ecossistema de agentes de IA da companhia. A iniciativa inaugura uma nova forma de interação entre empresas e seus sistemas, na qual usuários podem consultar informações, analisar cenários, tomar decisões e, dentro dos limites de autonomia definidos pela organização.

A proposta da companhia é transformar a própria experiência de uso dos sistemas de gestão com um executor do ERP dentro das próprias plataformas de IA generativas. A empresa parte de uma premissa: a inteligência artificial não reduz a relevância do ERP; ao contrário, torna sua base de dados, seus processos, suas regras de negócio e seus mecanismos de governança ainda mais estratégicos.

A apresentação da tecnologia define esse movimento como uma transição da inteligência artificial “acoplada”, representada por copilotos isolados, para uma arquitetura em que a IA passa a operar de forma interligada sobre os sistemas de gestão. Para viabilizar esse modelo, a Senior adotou o Model Context Protocol (MCP), padrão que conecta modelos de IA ao contexto operacional do ERP de forma estruturada e segura.

A estrutura funciona como uma camada de integração que traduz as intenções expressas em linguagem natural em chamadas autorizadas ao sistema, permitindo que a IA consulte informações e execute tarefas preservando a governança. É essa arquitetura que faz com que permissões de acesso, alçadas de aprovação, regras fiscais e demais controles do ERP permaneçam como base para todas as interações da inteligência artificial, preservando a segurança dos dados e as especificidades da empresa em cada operação.

A mudança acontece porque uma IA, isoladamente, não conhece a realidade operacional de uma empresa. Para responder a uma pergunta de negócio com precisão ou executar uma tarefa de forma segura, é necessário ter acesso às informações e regras que estruturam o ERP: pedidos, clientes, produtos, estoque, faturamento, regras fiscais, limites de alçada, aprovações, histórico de transações e permissões de cada usuário. Agora, o usuário deixa de depender exclusivamente da navegação por menus, telas e relatórios para passar a expressar sua intenção em linguagem natural, enquanto o sistema de IA orquestra a execução das atividades corporativas.


“É nesse aspecto que está o diferencial da arquitetura desenvolvida pela Senior. Não se trata de colocar uma inteligência artificial ao lado do ERP, mas de permitir que a IA opere com ele, dentro das regras do sistema. O modelo de linguagem interpreta a intenção do usuário; a arquitetura de integração (via MCP) conecta essa intenção às capacidades autorizadas; e o ERP consulta os dados, aplica as regras de negócio, valida as permissões e controla a execução”, explica Graciele de Lima, head-executiva de ERP na Senior Sistemas.

Na prática, um gestor poderá perguntar, por exemplo, quais pedidos estão parados aguardando faturamento, quais clientes reduziram o volume de compras, quais notas fiscais apresentam inconsistências ou quais pedidos podem ser faturados naquele momento. A partir dos dados contidos no sistema, a IA poderá organizar as informações, identificar exceções e apoiar a tomada de decisão. Em processos autorizados, a interação poderá avançar da consulta para a preparação e a execução de ações.

“A mudança não é apenas na interface. Essa arquitetura desbloqueia um potencial praticamente ilimitado de automação e personalização da experiência. As empresas passam a criar agentes, interfaces e fluxos de forma muito mais simples, ampliando significativamente a capacidade cognitiva do cliente para analisar cenários, tomar decisões e executar operações, sem perder a governança do ERP”, diz Graciele Lima.

As primeiras interações controladas entre IAs generativas e o ERP estão concentradas nas principais jornadas da gestão empresarial, como as áreas de vendas e finanças. Além disso, o protocolo vem sendo expandido para os setores fiscais, contábeis, de compras, suprimentos, estoque e outras operações corporativas. Além do ERP, outras linhas de produto, como soluções de gestão de pessoas (HCM) também passam a integrar essa estratégia.

Do chatbot à execução: o que muda

O movimento representa uma evolução em relação aos chatbots e assistentes virtuais tradicionais. Um chatbot convencional responde com base em conteúdos previamente disponibilizados e não necessariamente tem acesso aos dados transacionais atualizados da empresa. Já um copiloto pode auxiliar na interpretação de informações e sugerir caminhos, mas a execução continua dependendo da ação manual do usuário.

Na arquitetura proposta pela Senior, com o MCP, a inteligência artificial passa a interagir diretamente com os dados e as operações do negócio. Assim, a experiência evolui de informar para recomendar, preparar e, quando autorizado, executar.

A diferença está na profundidade dos dados e na capacidade de atuação sobre o sistema de registro da empresa. A IA não recebe acesso irrestrito ao ERP: ela utiliza capacidades específicas, disponibilizadas de maneira controlada, enquanto os controles definidos pela empresa continuam sendo aplicados pelo próprio sistema.

“Não estamos falando de um mero assistente para perguntas pontuais, mas de repensar a arquitetura de software de gestão corporativa de ponta a ponta, ampliando a capacidade analítica e a automação das operações”, afirma Graciele.

O ERP como fonte de verdade na era dos agentes de IA

A chegada dos agentes de inteligência artificial alimentou discussões sobre o futuro dos sistemas de gestão. Para a Senior, porém, a evolução da IA reforça o papel estratégico do ERP ao conectá-lo diretamente às novas experiências de inteligência artificial.

Na avaliação de Rogerio Nascimento, head de Inteligência Artificial da Senior, a discussão sobre agentes de IA já evolui para um novo estágio. Na visão da Senior, o debate sobre uma eventual perda de relevância dos sistemas de gestão diante dos agentes de IA já foi superado. A discussão passa a ser como conectar esses agentes à realidade operacional das empresas.

“O futuro dos sistemas de gestão não é a substituição do ERP pela inteligência artificial. É a transformação do ERP em uma plataforma capaz de fornecer contexto confiável para que a IA compreenda o negócio, preserve a governança e execute processos. É isso que amplia a autonomia das empresas para criar agentes, automações e novas experiências, mantendo no ERP aquilo que continua sendo insubstituível: os dados, as diretrizes e o retrato operacional de cada organização”, afirma.

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