Mercado

Ações ligadas à Inteligência Artificial desabam no mundo

Mercado reage mal às propostas de freio no desenvolvimento da tecnologia, feitas pelos próprios líderes da indústria.

As ações ligadas à Inteligência Artificial despencaram em todo o mundo nesta segunda-feira, 14/9, depois que líderes das maiores empresas do setor alertaram para os riscos decorrentes do rápido desenvolvimento tecnológico — a ameaça mais contundente até agora aos bilhões de dólares injetados na indústria, recursos que impulsionaram os mercados globais a níveis recordes.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, em um longo artigo compartilhado no X no sábado, pediu às empresas de IA que desacelerassem o ritmo de avanço das capacidades de seus modelos, em meio a temores crescentes sobre o uso indevido da inteligência artificial. Tanto Elon Musk, que comanda a xAI, quanto Sam Altman, CEO da OpenAI, declararam concordar com Amodei.

Altman adiantou que a OpenAI não avançaria com uma oferta pública inicial (IPO) este ano, citando preocupações com a segurança. O Nasdaq 100 (.NDX), índice de tecnologia de elite de Wall Street, recuou 1,7% nas negociações iniciais, com as ações de fabricantes de chips — que lideraram a euforia do mercado em torno da IA ​​— registrando as maiores quedas.

“Se isso levar a uma espécie de desaceleração e a uma reavaliação dos gastos com IA, haverá repercussões para a economia e para alguns setores importantes do mercado de ações, pois, essencialmente, temos operado em ritmo acelerado impulsionados pelos gastos com IA”, disse Steve Sosnick, analista-chefe de mercado da Interactive Brokers.

Mas nem todos investidores acreditam nos alertas. Michael Burry — cujas apostas visionárias contra o mercado imobiliário dos EUA antes da crise financeira de 2008 foram retratadas no filme “A Grande Aposta” — afirmou em uma mensagem no X que os alertas não passavam de “exagero e propaganda” e serviam de “cortina de fumaça para uma desaceleração real e incontrolável do crescimento”.


Outros argumentaram que os compromissos recordes de gastos de capital sugerem que o desenvolvimento da IA ​​dificilmente perderá ritmo; é o caso de Brian Nowak, do Morgan Stanley, que previu no início deste ano que os gastos com IA ultrapassarão US$ 1,2 trilhão até 2027.

“A questão fundamental é se este é o primeiro sinal de que o extraordinário ciclo de investimentos em IA poderá, eventualmente, desacelerar. Por enquanto, isso parece improvável. A corrida competitiva entre empresas e países permanece intensa, e é difícil imaginar empresas recuando voluntariamente enquanto rivais continuam avançando”, afirmou em comunicado o Deutsche Bank.

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