Carreira

Projetos de IA travam por impasse entre líderes e técnicos

Gerenciamento de custos de infraestrutura começa a pesar e exigência de Retorno de Investimento cria lacuna entre a prontidão para a inteligência artificial e o valor de negócios.

O Brasil está liderando ativamente o restante da América Latina na evolução para além de arquiteturas de software isoladas. Quase um terço das empresas brasileiras (32%) fez a transição com sucesso para um modelo centrado em plataformas e 25% já se identificam como orquestradas por IA, as maiores proporções entre os países pesquisados, revela um estudo produzido pela ManageEngine. No entanto, a maturidade digital não eliminou a complexidade operacional. Os entrevistados também classificaram “segurança em ambientes cada vez mais complexos”, “gerenciamento de custos de infraestrutura” e “gerenciamento de dados empresariais” entre os desafios mais significativos de transformação digital do país.

Um percentual substancial de 71% dos entrevistados brasileiros relata que a proliferação de ferramentas aumentou significativamente a complexidade de infraestrutura e gerenciamento nos últimos dois anos. Enquanto isso, 63% revelam que uma fatia maior de seus budgets de TI é gasta na manutenção de sistemas existentes do que em inovação. As empresas no Brasil estão navegando por ambientes de TI altamente fragmentados. Em média, as organizações no Brasil utilizam 18 soluções pontuais distintas simultaneamente, a maior taxa de fragmentação de software na região da América Latina. Essa saturação de aplicativos desconectados cobrou um alto preço operacional.

O estudo também revela uma lacuna crescente entre a prontidão para Inteligência Artificial e o valor de negócios. Embora 92% das organizações brasileiras acreditem que seus ambientes tecnológicos estão prontos para apoiar iniciativas de IA, 62% afirmam que continuam a lutar para gerar retornos mensuráveis dos investimentos em inteligência artificial. Os entrevistados identificaram preocupações com segurança e conformidade, escassez de habilidades e ambientes tecnológicos fragmentados como as principais barreiras que impedem as organizações de escalar a IA com sucesso. De fato, 89% dos entrevistados brasileiros dizem que a fragmentação tecnológica limita sua capacidade de escalar iniciativas de IA, com 35% relatando um impacto significativo.

“As organizações brasileiras estão entrando em uma nova fase de transformação digital onde as decisões tecnológicas são impulsionadas cada vez mais por resultados de negócios em vez da expansão de recursos”, disse Kishore Kumaar, country manager da ManageEngine no Brasil.

A cibersegurança reforça a necessidade de integração


À medida que a infraestrutura se torna mais complexa, defender o perímetro tem se tornado cada vez mais difícil. Mais da metade (56%) das organizações brasileiras relatam ter sofrido um aumento de ataques cibernéticos bem-sucedidos durante 2025 em comparação com anos anteriores. Ao mesmo tempo, 74% expressam preocupação com o vazamento de dados decorrente do uso por funcionários de ferramentas de IA generativa não autorizadas, destacando os crescentes desafios de governança que acompanham a adoção de IA empresarial.

Essas descobertas reforçam que a cibersegurança não pode mais ser vista de forma independente da transformação digital. À medida que as organizações introduzem IA, serviços em nuvem e automação em ambientes cada vez mais distribuídos, manter a visibilidade e governança consistente em todas as operações de TI torna-se crítico para fortalecer a resiliência cibernética.

Desconexões estratégicas na liderança executiva

O relatório conclui destacando uma profunda desconexão organizacional entre a liderança de negócios e as equipes de implementação técnica. Embora 91% dos entrevistados na região digam que as partes interessadas de negócios e TI estão amplamente alinhadas, apenas 40% dos executivos brasileiros dizem que sua liderança está “muito alinhada” em relação às prioridades reais de transformação digital.

A propriedade também permanece altamente fragmentada: 39% afirmam que a estratégia de transformação digital fica inteiramente com o CEO/liderança executiva, 39% afirmam que pertence ao CIO/liderança de TI, e meros 22% relatam um modelo de propriedade corporativa verdadeiramente compartilhado. Surpreendentemente, quase um terço dos entrevistados brasileiros (32%) afirma explicitamente que simplificar e unificar a pilha de tecnologia não é uma prioridade estratégica compartilhada entre a diretoria e a sala de servidores, uma lacuna de liderança que precisa ser superada para que as empresas locais desbloqueiem o sucesso da transformação de longo prazo no ecossistema digital.

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