Empresas públicas de TICs debatem soberania e infraestrutura digital
Dirigentes de empresas públicas de TIC de todo o país se reúnem em Maceió para discutir soberania digital, nuvem, inteligência artificial, dados e infraestrutura tecnológica do Estado.

Quando um brasileiro acessa o GOV.BR para consultar um benefício, emitir um documento, assinar eletronicamente ou utilizar um serviço público digital, deixa informações em sistemas que precisam funcionar com segurança, disponibilidade e regras claras sobre armazenamento e acesso. Hoje, a plataforma reúne mais de 4,8 mil serviços públicos, dos quais 84% são digitais, o que mostra o tamanho da dependência do Estado em relação à infraestrutura tecnológica.
É nesse ponto que entra a soberania digital: a capacidade do Brasil de decidir onde os dados públicos ficam armazenados, sob qual legislação são tratados, quem pode acessá-los e quais tecnologias sustentam os serviços utilizados diariamente pela população.
A discussão ganha ainda mais força nesta semana. No dia 3 de setembro, o Governo Federal realizará uma audiência pública virtual para discutir a modelagem da chamada Nuvem Brasileira, iniciativa que busca ampliar a soberania digital do Estado sobre a computação em nuvem, mantendo dados e controle da infraestrutura em mãos nacionais.
Na mesma data, dirigentes das empresas públicas e entidades estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação de diferentes regiões do País estarão reunidos em Maceió para a 180ª Reunião Ordinária do Conselho de Associadas (ROCA) da ABEP-TIC. O encontro ocorre nos dias 3 e 4 de setembro e terá entre os principais temas inteligência artificial, infraestrutura, dados, segurança e transformação digital no setor público.
Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Entidades Estaduais e Públicas de Tecnologia da Informação e Comunicação – ABEP-TIC, José Muniz Rebouças, o debate precisa ser compreendido como uma questão que afeta diretamente a relação entre cidadão e Estado.
“Soberania digital pode parecer um conceito distante, mas está presente cada vez que um brasileiro acessa um serviço público pela internet. Se o Estado depende de plataformas, nuvem e sistemas digitais para atender a população, precisa também ter capacidade de decidir onde seus dados estão, como são tratados e quais garantias existem sobre essa infraestrutura”, afirma Rebouças.



