
Dos 1.013 Analistas em Tecnologia da Informação aprovados e convocados no Concurso Nacional Unificado (CNU), apenas 394 tomaram posse — um índice de 38,8%. A vacância de 61,2% ocorre num momento em que o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia publicado estudo alertando para a escassez desses profissionais e o risco à continuidade dos serviços digitais prestados ao cidadão.
Os Analistas em Tecnologia da Informação (ATIs) respondem por atividades especializadas de planejamento, supervisão, coordenação e controle dos recursos de TI na Administração Pública Federal. Para a ANATI, o resultado da posse deveria acender um alerta no governo: a evasão em massa não pode ser tratada como uma questão de escolha individual dos candidatos, mas como sintoma de um problema estrutural de atração e retenção.
“O Estado sabe da necessidade de ampliar e reorganizar o quadro de Analistas em Tecnologia da Informação. Mas abrir vagas não é suficiente — é preciso atrair, nomear e, sobretudo, reter os profissionais qualificados”, afirma o presidente da ANATI, Luiz Alexandre.
Segundo ele, os serviços públicos essenciais estão cada vez mais dependentes de plataformas digitais, dados, sistemas de informação, infraestrutura tecnológica, inteligência artificial, computação em nuvem e segurança cibernética. “Serviços como Gov.br, FGTS Digital, eSocial, Carteira de Trabalho Digital e o Minha Casa Minha Vida dependem de tecnologia para chegar ao cidadão. Reduzir a capacidade estatal de planejamento, governança, gestão e fiscalização de TI significa aumentar a exposição do próprio Estado a riscos tecnológicos”, adverte Luiz Alexandre.
Os riscos apontados pela ANATI
Com o quadro de ATIs enfraquecido, a associação lista as principais ameaças à administração pública:
- Falhas de segurança da informação;
- Indisponibilidade de serviços digitais;
- Vazamento de dados;
- Dependência excessiva de fornecedores;
- Falhas de planejamento;
- Desperdício de recursos públicos;
- Contratação inadequada de soluções;
- Perda de conhecimento institucional;
- Baixa capacidade de fiscalização de contratos de TI.
- De acordo com a ANATI, os ATIs respondem pela gestão e fiscalização de aproximadamente R$ 10 bilhões em soluções e contratos de TI no governo federal. “Contratar mal, planejar mal e fiscalizar mal significa entregar menos ao cidadão. Esse é um risco muito grave”, conclui o presidente da associação.
Governo diz que sao 750 ATIs em atuação
Questionado pelo Convergência Digital, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, por meio da Secretaria de Governo Digital, encaminhou uma resposta ao portal. Nela ressalta que o número de Analistas em Tecnologia da Informação (ATI) aumentou 81% nos últimos dois anos.
Segundo ainda a SGD, antes da primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), em 2024, havia 414 ATIs nos quadros da Administração Pública Federal. Com a posse de 394 aprovados no certame, atualmente são 750 ATIs.
Além disso, na criação do cargo em 2006, a carreira fazia parte do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE). Depois da reestruturação realizada em 2023, a carreira de ATI passou a ser transversal e robustecida pelas novas regras.




