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Governo Lula lança edital de compra de supercomputador para IA com custo de R$ 1,06 bilhão

Edital será publicado em edição extra do Diário Oficial da União. Governo quer ter a máquina implantada em um prazo de 12 a 18 meses.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira, 20/8, o lançamento de um edital – que irá à consulta nos próximos dois meses e já estará disponivel nesta própria quinta-feira em edição extra do Diário Oficial da União – para a compra, ainda em 2026, do primeiro supercomputador de Estado dedicado à Inteligência Artificial. O custo orçado ficou em R$ 1,06 bilhão, sendo R$ 960 milhões para aquisição e R$ 100 milhões para implantação.

O valor é abaixo do R$ 1,8 bilhão previstos no PBIA, em 2024, mas justificado com a mudança de ter um computador no top 10 e não mais entre os primeiros lugares. O desembolso do valor não será à vista, mas em parcelas.  Autoridades questionados se a iniciativa poderia ser vista como ação eleitoral, disseram que IA está acontecendo agora. “Se a oposição vencer e quiser cancelar, a iniciativa será dela. O Supercomputador é uma Política de Estado e não do governo Lula”, apontou uma fonte.

Na cerimônia do anúncio, no Rio Grande do Norte, a ministra do MCTI, Luciana Santos, comemorou a decisão. “Nós seremos donos do nosso destino. Soberania não é retórica, é atitude, é prática, é tirar do papel”, enfatizou. Segundo ela, 60% da inteligência brasileira é processada fora do Brasil. “Não falta inteligência, falta capacidade computacional para colocar essa inteligência a nosso favor e de volta para casa”, reforçou a ministra.

O governo acredita que haverá competição entre os fornecedores e não assegura que os chips serão da Nvidia. Segundo o governo, outros fabricantes como AMD e Intel têm chips e estão dispostos a entrar na disputa. O Convergência Digital ouviu especialistas do governo sobre o temor da falta de peças e do aumento de custos por conta da escassez de componentes. “Temos convicção que um projeto desse vai acontecer no prazo. É uma compra significativa, mas trabalhamos com o prazo de 12 a 18 meses para a entrega”, disse a fonte. Expectativa é que todos os fabricantes instalados no país tentem atuar como fornecedores do supercomputador.

A supermáquina deverá alcançar aproximadamente 7.200 peta flops — cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo, o que significa aumentar em 10 vezes a capacidade do maior supercomputador do governo – o Santos Dumont, que está no LNCC, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Aliás, Petrópolis perdeu a disputa e o supercomputador será instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo – PAX, que pertence à na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com execução feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).


O Rio Grande do Norte venceu a disputa com o Rio e São Paulo (Campinas) por conta do potencial energético do Estado e leva ao Nordeste uma infraestrutura científica e tecnológica de ponta, amplia a capacidade de pesquisa e inovação na região e contribui para descentralizar a infraestrutura de alta tecnologia no país. O edital de compra prevê ainda contrapartidas relacionadas a transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, com previsão de capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos.

Lula também anunciou uma cooperação tecnológica com empresas da China – e com a Huawei que aportará R$ 1,2 bilhão – para ampliar a supercomputação no país, desenvolver modelos de IA em língua portuguesa e formação de profissionais. A terceira é a participação brasileira no esforço internacional de desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC-V, que amplia as possibilidades de desenvolvimento tecnológico e reduz a dependência de arquiteturas proprietárias.

O pacote inclui ainda a estruturação da Nuvem Brasileira, em uma parceria entre os setores público e privado, para desenvolver no país infraestrutura e tecnologia de armazenamento e processamento de dados e sistemas, estimular fornecedores nacionais e reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros.  Lula também vai falar sobre o Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que ficará na Universidade Federal de Minas Gerais. Ele terá a missão de fazer avaliação de riscos, mitigação de vieses como apoio para as políticas de governo, como a aplicabilidade do ECA Digital. Esse Centro Nacional terá um aporte inicial de R$ 125 milhões do governo e poderá ter aporte igual vindo da iniciativa privada.

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