O Itaú Unibanco reforça seu time voltado à computação quântica. Em entrevista à CDTV, durante o Febraban tech 2026, Samuraí Brito, líder de Tecnologias Quânticas e gerente-executiva de Ciência de Dados do Itaú Unibanco, falou sobre os avanços no uso da computação quântica dentro do contexto de otimização de portfólio. “Esse ano, nós publicamos um artigo científico na Scientific Report, do grupo Nature, bastante relevante mostrando o impacto que nós conseguiremos ter com a computação quântica para esse problema e que reflete a solução potencial para o futuro das recomendações de investimento para os nossos clientes”, frisou.
O que seu time conseguiu demonstrar foi a possibilidade de aproveitar as características dos sistemas quânticos presentes para simplificar a otimização e gerar recomendações melhores. Hoje, tais recomendações existem, mas há limite para crescer.
“Quando a gente faz essas recomendações, nós pegamos um pequeno grupo de produtos, combinamos eles para encontrar quais são as melhores combinações para recomendar pro nosso cliente. Nós estamos aqui falando de ter na casa de milhares de produtos e é impossível fazer combinações com essa dimensão. Então, com a computação quântica, nós conseguimos expandir a nossa base de produtos e realizar recomendações mais personalizadas, mais rápidas e com maior acurácia.”
O foco no Instituto de Ciência e Tecnologia do Itaú é encurtar a janela de pesquisa para produto. Dentro das frentes de pesquisa, está sendo explorada a técnica de reinforcement learning, para aprendizagem por reforço no contexto de fraude. “Nós conseguimos identificar transações fraudulentas de uma maneira melhor, mapeando padrões que antes não eram possíveis de mapear com técnicas clássicas”, explicou.
Além disso, o Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú tem explorado avanços em algoritmos quânticos de machine learning, usando camadas quânticas dentro de redes neurais para melhorar o aprendizado.
O ICTi conta com cerca de cem pesquisadores no time da executiva, ademais do grupo de pesquisadores internos há dez bolsistas com doutorado e pós-doutorado, um time bastante multidisciplinar com objetivo de olhar para o problema de uma maneira diferente.
Falando sobre quando computação quântica estará comercial, Samuraí Brito ponderou que, apesar de ninguém ter a resposta, algumas apostas indicam que a partir de 2028 ou 29 devem sair as primeiras aplicações de computação quântica no nível comercial, mas ainda não em todos os setores comerciais. “Aqui a gente vai começar vendo provavelmente na parte de simulação química e simulação molecular. Em finanças, a gente deve demorar um pouquinho mais para conseguir ver esses avanços reais.”
As apostas de roadmap para 2028 e 29 leva em consideração um computador quântico tolerante a falhas. “Mas com o número de qubits não grande o suficiente para que a gente resolva problemas complexos em larga escala; já contabilizando esses avanços em correção de erros”, assinalou.
Ela também avaliou o impacto da computação quântica para segurança, uma vez que será necessário desenvolver nas organizações a capacidade de agilidade criptográfica. “A computação quântica traz ameaça para alguns algoritmos de criptografia. Nós estamos mapeando, estamos fazendo toda a preparação de inventário, mapeando as vulnerabilidades potenciais e já começando realmente a nos antecipar na adoção dos novos protocolos de criptografia. Mas isso não resolve o problema de novas ameaças e outras tecnologias futuras que possam surgir”, ponderou. Assistam a entrevista.



