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CADE nega rito sumário para compra da Um Telecom pela V.tal

Segundo Superintendência Geral do órgão antitruste, participação conjunta das empresas supera 50% em mercados horizontalmente sobrepostos.

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica decidiu nesta quarta-feira, 28 de janeiro, que a aquisição da Um Telecom pela V.tal não poderá tramitar pelo rito sumário. Ao analisar o ato de concentração, o órgão concluiu que a participação conjunta das empresas supera 50% em mercados horizontalmente sobrepostos e, em outros cenários, fica acima de 20% com variação do índice Herfindahl-Hirschman superior a 200 pontos, patamar que, segundo precedentes do Cade, exige análise mais aprofundada e pode levar à realização de instrução complementar.

A decisão ocorre no contexto da operação anunciada pela V.tal, que prevê a compra de 100% da Um Telecom, empresa de soluções digitais com forte atuação no Nordeste. Os valores da transação não foram divulgados. Com o negócio, a V.tal passa a incorporar uma rede de mais de 20 mil quilômetros de fibra óptica, presente em todas as capitais nordestinas e em mais de 200 municípios, além de um portfólio ampliado de soluções digitais e uma base de cerca de mil clientes.

Segundo comunicado ao mercado, a aquisição tem como objetivo ampliar a capilaridade regional da rede da V.tal, fortalecer sua capacidade técnica e expandir o atendimento a clientes de maior valor no segmento de rede neutra. A companhia afirma que a operação gera ganhos de escala e eficiência, aumentando a capacidade de atendimento a provedores regionais e grandes operadoras, além de abrir novas frentes de atuação em áreas como cidades inteligentes, indústria 4.0 e projetos de transformação digital, a partir da expertise da Um Telecom em soluções digitais.

O ato de concentração submetido ao Cade envolve a aquisição, pela V.tal, da totalidade das quotas da 1Telecom, da Um Telecom Soluções em Tecnologia e da Atlantic Data Center. As duas primeiras atuam no mercado de serviços de comunicação multimídia e em uma ampla gama de serviços de valor agregado, incluindo soluções em nuvem, segurança de redes, conectividade, comunicações móveis, redes privativas e aluguel de infraestrutura. A Atlantic, por sua vez, é uma empresa ainda não operacional, criada para futuramente atuar no mercado de data centers.

Para a V.tal, a operação representa uma oportunidade de investimento estratégico, com geração de sinergias e expansão de sua infraestrutura de telecomunicações. Para os vendedores, o negócio é visto como uma alternativa de capitalização, com a continuidade das atividades desenvolvidas pelas empresas adquiridas. Com a decisão da Superintendência-Geral, o processo segue agora para uma análise mais detalhada, que poderá incluir a coleta de informações adicionais antes de uma deliberação final do Cade.


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