Febraban Tech 2026: Aos presidenciáveis, Bancos dizem que responsabilidade fiscal e desenvolvimento social andam juntos

O debate eleitoral brasileiro ganha contornos de urgência e rigor técnico sob a ótica das lideranças do setor financeiro. No Febraban Tech 2026, os presidentes das maiores instituições bancárias do país analisaram o cenário político e colocaram suas expectativas para os próximos candidatos à presidência. Diante de um ambiente internacional marcado por instabilidades de juros e conflitos, o consenso é claro: embora o Brasil não controle o cenário externo, precisa organizar a agenda doméstica para competir globalmente.
Para os executivos, responsabilidade fiscal e desenvolvimento social são complementares. Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, defende que “o social e o fiscal andam de mãos dadas” e que a inflação representa o pior imposto para as famílias. Ressaltando o momento de juros restritivos e a necessidade de atenção ao endividamento, Maluhy pontua que as instituições preferem trabalhar com juros baixos e crescimento livre de inflação. O executivo cobra definições claras dos candidatos: “Qual é o plano econômico, para a saúde, para a educação?”.
Essa busca por pragmatismo é endossada por Marcelo Noronha, CEO do Bradesco. Ele enfatiza que a sociedade precisa ouvir as propostas de política fiscal diretamente dos candidatos, e não de seus assessores. O executivo destaca um dado preocupante: a dívida pública brasileira caminha para 82% do PIB, por isso é crucial alcançar o equilíbrio fiscal e estabilizar essa dívida. Noronha afirma que o Brasil possui saídas viáveis, mas que exigem vontade política para colocar o país em uma trajetória de crescimento perene no horizonte de 2027 a 2030.
Produtividade, custo de capital e segurança
Roberto Saloutti, CEO do BTG Pactual, alerta que as referências econômicas das décadas passadas deixaram de existir. Com uma revolução tecnológica em curso que promete gerar ganhos inéditos de produtividade, ele destaca a urgência de o Brasil fazer a “lição de casa” e, para isso, aponta três pilares essenciais: a redução do custo de capital nacional (atualmente muito acima da taxa norte-americana), segurança pública e tributária, e o aumento de produtividade. Para ele, o crescimento não pode depender do fator demográfico, exigindo um projeto de nação focado nos próximos 15 anos.
Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal, reforça a busca por equilíbrio fiscal e define a economia como a “ciência do equilíbrio”. Ele vê o país pronto para implementar as iniciativas necessárias e cita a construção civil como exemplo de setor que une capacidade de fomento técnico com conhecimento de mercado para gerar produtividade.
A capacidade de operar em meio à incerteza é enfatizada por Livia Chanes, CEO Latam do Nubank. Ela acredita que a volatilidade, hoje global, sempre esteve presente na história do Brasil. Atuando em nível global, com operações na América Latina e autorização para funcionar nos EUA, o Nubank foca em modelos de negócios altamente resilientes como parte da resposta às transformações tecnológicas e flutuações de mercado.
Por fim, Gilson Finkelsztein, CEO do Santander Brasil, projeta que o cenário global tenso e juros altos em vários países aumentarão a disputa por capital. Nesse contexto, a “agenda Brasil” se torna duplamente relevante. Sem reformas e equilíbrio interno, a atração de recursos externos será consideravelmente mais difícil. Desta forma, o setor bancário converge sobre a necessidade de definir, de forma consistente, as políticas de investimento e evidenciar as oportunidades de negócios que o país oferece, desenhando uma rota de prosperidade duradoura.



