A nova era dos agentes inteligentes amplia o potencial da IA, mas também eleva a necessidade de governança, supervisão e segurança. No setor financeiro, onde confiança é um ativo essencial, a adoção de IA exige mecanismos que garantam transparência, controle, conformidade regulatória e proteção de dados. Em entrevista à CDTV, durante o Febraban Tech 2026, realizado em São Paulo entre 24 e 26 de agosto, Rodrigo Benin, líder de negócios para Serviços Financeiros na IBM Brasil, abordou a IA em ambientes regulados.
“No caso de ambientes regulados, como sistema financeiro brasileiro, a estratégia de governança precisa ser desenhada desde o início. É algo que passa a ser parte do design das soluções. Não é algo que pode ser relegado para depois. Você já precisa desenhar para que seja governável. E ser governável significa que você consegue definir políticas, que você consegue estabelecer limites de autoridade pros agentes, que precisam operar dentro de um guard rail de alçada, de transações, de maneira que o que eles fazem e a forma como eles decidem seja explicável e registrada”, ressaltou.
Quando você introduz agentes que passam a agir em nome do cliente ou em nome do bancário, eles precisam ser governados. Mas como deve se dar a governança dos agentes? Para Benin, é preciso antever os limites do trabalho de um agente e configurar isso para que ele saiba quais são esses limites. “Você precisa redesenhar os processos de negócio, sabendo que agentes vão conversar e transferir responsabilidade para um agente ou para um humano. Imagina que as equipes dentro dos bancos passam a ser compostas por agentes sintéticos e agentes humanos que interagem, trocam informações e agem em nome do cliente, em nome da instituição o tempo todo”, salientou.
A necessidade de coordenação acaba provocando um redesenho dos processos de negócio. E isso vale tanto para bancos centenários como para fintechs e bancos digitais lançados há poucos anos. A governança independe do tempo de vida da instituição ou da complexidade da infraestrutura, pois a regulação é a mesma para todos. “Os grandes bancos, que operam há décadas ou até às vezes alguns há mais de cem anos no Brasil, vão ter um histórico de informações e uma quantidade de sistemas legados que traz mais complexidade, ao passo que fintechs têm um pouco mais de dinamismo e o peso dos sistemas legados tende a ser um menor, mas a complexidade de governar e orquestrar os agentes é muito parecida”, opinou.




