Telecom

UIT define requisitos técnicos para o 6G e começa próxima geração da conectividade móvel

Bases para redes ultraconfiáveis têm integração com IA e conectividade ubíqua. Aprovação final deve ocorrer em dezembro.

Especialistas em comunicações móveis da União Internacional de Telecomunicações chegaram a um consenso sobre os requisitos de desempenho técnico para o IMT-2030, mais conhecido como 6G. A decisão, tomada em fevereiro pelo Grupo de Trabalho 5D do Setor de Radiocomunicação da UIT, representa um marco na definição da próxima geração de sistemas de conectividade sem fio.

O documento, que ainda está em fase de rascunho, estabelece 20 requisitos de desempenho técnico para as futuras redes. Destes, sete são inteiramente novos e específicos para descrever as capacidades que o 6G deverá entregar. A aprovação formal do texto está prevista para dezembro deste ano, durante a reunião do grupo de estudo responsável.

O IMT-2030 não é apenas uma evolução do 5G, chamado de IMT-2020 pela UIT. A nova geração foi desenhada para suportar experiências imersivas e formas inéditas de colaboração, baseando-se em seis cenários de uso propostos: comunicação imersiva, comunicação hiperconfiável e de baixíssima latência, comunicação massiva, conectividade ubíqua, inteligência artificial e comunicação, e comunicação e sensoriamento integrados.

A base conceitual do 6G foi lançada pela UIT em dezembro de 2023, com a publicação da Recomendação UIT-R M.2160. Na ocasião, a agência da ONU para tecnologias digitais definiu os princípios fundamentais que devem nortear o design das novas redes, entre eles sustentabilidade, segurança e resiliência, a missão de conectar os desconectados e a inteligência ubíqua.

De acordo com a UIT, a sexta geração de comunicações móveis tem como ambição viabilizar redes acessíveis, resilientes e energeticamente eficientes que possam ser aplicadas em áreas cruciais como saúde, educação, agricultura e resposta a desastres. Mais do que isso, o 6G é visto como uma ferramenta estratégica para reduzir o persistente abismo digital que ainda exclui populações de países de baixa renda.


O novo relatório com os 20 requisitos mínimos de desempenho serve como uma fundação técnica unificada. Seu objetivo é permitir a avaliação justa e consistente das futuras candidatas a interfaces de rádio para o IMT-2030, orientando a pesquisa e a padronização global nos próximos anos.

A UIT faz questão de ressaltar que os 20 requisitos estabelecem níveis mínimos de desempenho que as tecnologias candidatas deverão comprovar. Eles não restringem abordagens de implementação nem são uma garantia de desempenho no mundo real, mas sim uma bússola para a indústria e os laboratórios de pesquisa. O próximo passo no processo de padronização global será o desenvolvimento de diretrizes de avaliação concretas para o IMT-2030, que deverão ser aplicadas às propostas técnicas submetidas por fabricantes, operadoras e institutos de pesquisa de todo o mundo.

O rascunho do relatório com os requisitos técnicos foi submetido para aprovação ao Grupo de Estudo 5 do Setor de Radiocomunicação da UIT, responsável pelos serviços de radiocomunicação terrestre. A reunião decisiva está marcada para o dia 1º de dezembro de 2026. Até lá, o documento permanece acessível apenas aos membros da UIT diretamente envolvidos em sua finalização.

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