TIC Educação: IA generativa entrou na sala de aula, mas com baixa governança de uso
Segundo a TIC Educação, em 37% das escolas, a utilização de IA generativa pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida — proporção que chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o Ensino Médio.

A nova edição da pesquisa TIC Educação, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgada nesta terça-feira, 4 de agosto, revelou pela primeira vez como é o uso das ferramentas de Inteligência Artificial generativa por gestores escolares.
O levantamento indica que 53% deles já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira. Dentre as principais finalidades estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).
Em 37% das escolas, a utilização de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida — proporção que chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o Ensino Médio. Apesar da disseminação desses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso de tais recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares).
“Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país e que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais. Regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital”, ressalta Renata Mielli, coordenadora do CGI.br. “As famílias e os educadores precisam de apoio para compreender a complexidade de temas imateriais, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial, para que possamos, coletivamente, proteger crianças e adolescentes contra os riscos e abusos no ambiente virtual.”



