Disparada dos preços de componentes provoca colapso global nos smartphones abaixo de US$ 100
GSMA adverte que essa alta dos preços, impulsionada pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial, tende ampliar a exclusão digital no mundo.

O aumento dos custos de componentes de smartphones, impulsionado pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial, ameaça ampliar a exclusão digital e tornar a internet móvel menos acessível financeiramente em países de baixa e média renda (LMICs). A advertência foi feita pela GSMA, no relatório State of Mobile Internet Connectivity 2026 (Estado da Conectividade à Internet Móvel 2026).
Dados da Counterpoint Research mostraram que os preços de memórias mais do que dobraram entre o terceiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, antes de registrarem um aumento adicional de 80% a 90% no segundo trimestre de 2026. Essa disparada de preços está impactando os valores dos smartphones de entrada; a associação do setor alerta que custos mais elevados podem desacelerar o progresso na redução da lacuna de uso da internet móvel.
O relatório da GSMA constatou que, embora 4,8 bilhões de pessoas já utilizem a internet móvel em seus próprios dispositivos, o ritmo de crescimento desacelerou: foram cerca de 160 milhões de novos usuários em 2025, ante 190 milhões em 2024. Além disso, 38% da população mundial — aproximadamente 3,1 bilhões de pessoas — vivem em áreas com cobertura de banda larga móvel, mas não a utilizam; desse contingente que não utiliza o serviço, 70% não possuem um dispositivo próprio. Outras 650 milhões de pessoas acessam a internet móvel exclusivamente por meio de dispositivos emprestados ou compartilhados.
Segundo a GSMA, prevê-se que as remessas globais de smartphones sofram a “maior queda anual já registrada”, impulsionadas por um colapso no segmento de aparelhos com preço inferior a US$ 100. A expectativa é que os mercados emergentes sejam os mais afetados.
A acessibilidade financeira dos aparelhos foi apontada como a maior barreira para a adoção da internet móvel nos países de baixa e média renda, seguida por questões de alfabetização e habilidades digitais. No final de 2025, um aparelho de entrada com acesso à internet custava, para os 20% mais pobres desses países, o equivalente a 44% de sua renda mensal média — índice que chegava a 76% na África Subsaariana.
Patamares de preço
O estudo revelou que, até um ano atrás, reduzir os preços dos smartphones de entrada para US$ 30 poderia ter tornado os dispositivos acessíveis a quase 1,6 bilhão de pessoas. Um patamar de preço de US$ 20 poderia ter alcançado cerca de 2,2 bilhões de pessoas residentes em áreas com cobertura de banda larga móvel. No entanto, a alta nos custos de memória tornou esses preços inacessíveis. Como resultado, a GSMA conclamou fabricantes de chipsets e memórias a aumentar a disponibilidade de componentes acessíveis e instou formuladores de políticas, operadoras e fabricantes de dispositivos a apoiarem medidas que incluam o reaproveitamento de aparelhos.
O diretor-geral da GSMA, Vivek Badrinath, argumentou que “a IA tem o potencial de melhorar vidas em uma escala sem precedentes”, mas que isso “não faz sentido se as pessoas não conseguirem sequer acessar a internet”. “Se não protegermos a acessibilidade de preços dos smartphones de entrada, bilhões de pessoas correm o risco de ficar excluídas da próxima geração de serviços digitais”, alertou.



