
O presidente da Anatel, Carlos Baigorri admitiu que os principais desafios, hoje, do setor de Telecom são a relação do estado brasileiro com o ambiente digital e das OTTs com as operadoras. Segundo ele, a banda larga não é mais um problema, uma vez que existe um número significativo de brasileiros conectados. Baigorri participou do VI Simpósio TelComp 2026, realizado em Brasília, nesta quarta-feira, 12/8.
Baigorri defendeu uma revisão geral institucional sobre como o estado brasileiro regula o ambiente digital, inclusive observando as competências da agência reguladora previstas na Lei Geral de Telecomunicações. “Hoje, tudo isso se caracteriza como SVA. Agora, precisamos discutir isso de maneira adequada. Isso envolve uma discussão sobre o uso adequado da infraestrutura de telecom. E este debate não é necessariamente apenas remuneratório”, apontou.
O presidente da Anatel avaliou que as empresas OTT apenas se responsabilizam em jogar conteúdo na rede, deixando para as operadoras se virarem para levar esse conteúdo ao usuário final, e isso não é por si só um uso eficiente da infraestrutura de telecomunicações.
“Eu acho importante que o debate sobre a eficiência de uso da rede de telecomunicações se paute pelo diálogo. Um ponto que sempre achei controverso é o da neutralidade de rede. Essa decisão precisa ser rediscutida. Agora, fico bastante triste de ver que essa relação dentre OTT e telecom caminhe para uma análise do que é certo e do que é errado. E isso não é o melhor caminho”, disse.
E prosseguiu: “na minha visão, é preciso estabelecer critérios técnicos para as empresas OTT seguirem nessa relação com a infraestrutura de telecom. Precisamos definir as melhores práticas sobre gestão de tráfego para serem seguidos pelas empresas OTT, e caso você não tenha essa responsabilidade, quer dizer que você passa a colocar em risco o funcionamento da rede. Precisamos ter métricas e parâmetros de uso adequado da rede”, finalizou.
Ele citou que o mesmo caminho se observa no debate dos postes. “Todos precisam entender que o problema é de todos, que cada um tem uma parcela de culpa. Sem isso, não se terá avanços”, completou.




