Rio de Janeiro cria força-tarefa contra furto e receptação de cabos
Materiais serão substituídos por outros, sem valor comercial. Levantamento mostra que o furto de cabos e equipamentos da rede semafórica custou R$ 2,8 milhões aos cofres municipais apenas no primeiro semestre deste ano. Desde 2021, os prejuízos acumulados chegam a R$ 26,6 milhões.

A Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo do Rio de Janeiro anunciaram nesta terça-feira, 01/9, a criação do Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos para reforçar o enfrentamento a esse crime na capital fluminense. O objetivo do núcleo integrado é coordenar ações voltadas à prevenção e ao enfrentamento do furto de cabos e de outros componentes da infraestrutura urbana.
Segundo a prefeitura, a iniciativa foi motivada pelo alto volume de ocorrências registradas no município — furtos de cabos já custaram R$ 26,6 milhões ao Rio desde 2021. Em entrevista coletiva realizada no Centro de Operações Rio (COR), o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) destacou que os casos cresceram depois da pandemia e não são resolvidos como uma simples manutenção.
“O que estamos destacando é que essa ‘epidemia’ não vem do acaso. Ela é fruto de crime e com comportamento sistemático e repetitivo. Em alguns casos, o volume de roubos e furtos não pode ser visto como uma ação episódica, individual. Tem um sinal na cidade que foi roubado 70 vezes ao longo deste ano. Uma vez a cada 3 dias”, afirmou Cavaliere.
Roberto Lisandro Leão, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), destacou a importância da integração entre os órgãos municipais e estaduais para enfrentar o problema. “Uma instituição sozinha não consegue resolver o problema da cidade, do estado e da população como um todo. Quando a gente fala a mesma linguagem e tem o mesmo propósito, os resultados vêm”, afirmou.
Levantamento mostra que o furto de cabos e equipamentos da rede semafórica custou R$ 2,8 milhões aos cofres municipais apenas no primeiro semestre deste ano. Desde 2021, os prejuízos acumulados chegam a R$ 26,6 milhões.
O secretário Marcus Belchior afirmou que uma das primeiras medidas do programa foi a desapropriação dos terrenos no Sampaio, na Zona Norte do Rio. “A gente quer quebrar a cadeia criminosa. Vamos fiscalizar estabelecimentos que compram, armazenam ou comercializam cabos e outros materiais furtados”, afirmou o secretário de Ordem Pública.
Entre as medidas previstas estão a substituição de materiais metálicos por componentes sem valor comercial e o reforço na fiscalização de estabelecimentos suspeitos de receptar produtos furtados. Os locais poderão ser alvo de sanções administrativas e de outras medidas previstas em lei, incluindo, em casos específicos, a desapropriação de imóveis.
“O cabo de cor laranja tem cobre, mas em quantidade tão pequena que ele não tem valor comercial. A cor abóbora é para chamar a atenção. É algo que vamos passar a implantar na região da Grande Tijuca e do Grande Méier. Já iniciamos as ações”, completou Marize da Silva Queiroz Ribeiro, presidente da CET-Rio. Dados de abril da Conexis, entidade das operadoras, revelam foram subtraídos 5,2 milhões de metros de cabos, deixando milhares de brasileiros sem serviço de Internet e telefonia.


