GovernoMercadoTelecom

Crise da Oi: Para Anatel, se acordo não será honrado, não há porque manter termos do fim da concessão

“O sentimento é de se voltar à mesa para discutir, e se for o caso, revisar o termo da adaptação”, diz o relator do caso na Anatel, Alexandre Freire.

O agravamento da crise da Oi e a perspectiva de a empresa não cumprir o que foi acertado com a Anatel para encerrar a concessão de telefonia fixa – o que reduziu custos da operadora – alimentam a sensação na agência de que aquele acerto precisará ser revisto. E a perspectiva é que isso aconteça no primeiro semestre deste 2026.

“É um sentimento de voltarmos à mesa para discutir o termo de consensualidade, o termo da adaptação. O processo está aberto, nós estamos discutindo no âmbito do Conselho de Diretor, mas hoje é um sentimento da necessidade de se voltar à mesa para discutir, e se for o caso, revisar o termo da adaptação”, afirma o conselheiro Alexandre Freire, que participou nesta terça-feira, 24/2, do Seminário Políticas de Comunicações, promovido pelo portal Teletime.

Relator de um dos gatilhos para esse “sentimento” no colegiado da Anatel, o conselheiro explicou que as dúvidas são intensificadas pelos acontecimentos na recuperação judicial da operadora. “Pelo que aconteceu no Judiciário, a própria governança da Oi, a falta de um diálogo aberto, franco, com a agência, por apostas em práticas que são, no meu modo de ver, incompatíveis com o que foi acertado no termo da adaptação, o que foi pactuado com os players envolvidos, com a agência e o Ministério das Comunicações, com o Tribunal de Contas da União, com a AGU, com todos os envolvidos nessa matéria”, disse.

Freire tem em mãos um pedido da Oi para suspender mais de R$ 500 milhões em garantias financeiras da empresa associadas às promessas de investimento acertadas no âmbito da adaptação do contrato de concessão. O pleito, apresentado ao mesmo tempo à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, já foi aprovado no Judiciário, o que deixa a Anatel discutindo um fato consumado.

“Tem também relação com o levantamento do valor das garantias. Entendemos que ele não observou devido ao processo legal. Aquelas garantias tinham sido dadas para o cumprimento das obrigações. Então, se as obrigações não serão honradas, não há razão de ser da manutenção do acordo. É um tema que estamos discutindo ainda. O Conselho Diretor tem um encontro marcado com esse assunto e, certamente, vamos deliberar isso até o fim deste primeiro semestre.”


O acordo fechado para a migração prevê investimentos de aproximadamente R$ 6 bilhões. Esse valor teria de ser utilizado em três grandes frentes. A primeira é a construção de rede Wi-Fi e provimento de banda larga fixa de alta velocidade em 4 mil escolas, beneficiando aproximadamente 1 milhão de alunos.

A segunda é a implantação de novos datacenters e ampliação da rede de cabos submarinos do país, melhorando a infraestrutura nacional de comunicação e TI. A terceira frente é a manutenção do serviço de telefonia fixa em 10.650 localidades, de 2.845 municípios, até 2028 ou enquanto não exista ali uma alternativa de comunicação.

Botão Voltar ao topo

Isso vai fechar em 0 segundos